Amaro Antunes, uma pérola no pelotão nacional

Na presente temporada, o pelotão português colocou em evidência um número relevante de jovens talentos lusos, que assumiram um papel de destaque nas provas do calendário nacional. Este grupo de corredores ronda os 20 e poucos anos de idade e, nos últimos anos, tem escalado importantes degraus na consolidação das capacidades demonstradas nas camadas de formação. Um desses rostos é o de Amaro Antunes, 24 anos, a correr pela LA Alumínios-Antarte.

Amaro Antunes (© Helena Dias)


Amaro Antunes distingue-se pela lufada de ar fresco que traz ao ciclismo. Pedala com leveza e alegria, juntando um toque de elegância e crescente maturidade. Revela frescura no estilo de pedalar, um pouco à imagem de como observamos o jovem colombiano Esteban Chaves (Orica-GreenEdge) a correr actualmente na Vuelta a España.

Cedo começou a traçar um caminho de notória qualidade, levando-o a acumular vitórias e importantes resultados em corridas nacionais e internacionais. Quando olhamos aprofundadamente ao seu palmarés, ele é bem revelador da qualidade de Amaro Antunes. Há particularidades que podem escapar à generalidade dos seguidores de ciclismo, merecedoras de realce pela forma como ajudam a desenhar o retrato deste talento lusitano.

Profissional desde 2011, a senda de vitórias começou uns anos antes, mais precisamente em 2007. Podia ser mais um entre tantos jovens que luzem brilhantismo em júnior, mas depressa se apagam no escalão sub-23. Com Amaro não foi assim, confirmando temporada atrás de temporada cada meta alcançada. Nesse ano de 2007, na equipa do Milharado festejou 10 vitórias, destacando-se nos Campeonatos Nacionais terminando em 3º no contra-relógio e 5º na prova de fundo. Estes resultados ganharam uma maior dimensão ao ser chamado a participar em provas internacionais pela Selecção Nacional Júnior, uma montra sempre importante para qualquer jovem, não só pela visibilidade que se alcança como pela aprendizagem que se obtém ao pedalar no pelotão internacional. Superou esta experiência sendo 3º na classificação da juventude no Tour de Pays Vaud, na Suíça, e terminando o Campeonato da Europa na 11ª posição.

No ano seguinte rumou ao Alcobaça Clube de Ciclismo, vivendo no segundo ano de júnior uma temporada retumbante de triunfos, precisamente 32. Entre as vitórias destaca-se a performance na Volta a Portugal de Juniores, onde conquistou a geral somando duas etapas e a camisola da montanha e dos pontos. Sagrou-se campeão nacional de fundo e de contra-relógio, agarrando ainda a Taça de Portugal deste escalão. A nível internacional, correu e venceu em Espanha o Circuito del Guadiana e pela Selecção finalizou em 5º a Course de la Paix, na República Checa.

Em 2009 viveu o primeiro ano de sub-23, uma temporada sempre de adaptação ao novo pelotão para os jovens corredores, que passam a pedalar lado-a-lado com os profissionais num ritmo totalmente díspar ao que estavam habituados. A progressão continuou, destacando-se neste ano não tanto pelas vitórias, 4 no total, mas pelo detalhe de alguns resultados alcançados como a montanha da Volta a Portugal do Futuro, onde terminou em 9º da geral, e a vitória da 3ª etapa da Vuelta a Palencia em Espanha.

O ano de 2010 levou-o até São João de Ver e à equipa Liberty Seguros-Sta. Maria da Feira. Aí assegurou igualmente 4 vitórias, destacando-se a classificação da juventude na Volta a Coruña, onde foi 5º da geral. Pela Selecção Nacional regressou aos importantes palcos internacionais como o Giro delle Regioni, prova italiana que finalizou em 16º lugar, tendo à sua frente nomes como o talento francês Roman Bardet (AG2R La Mondiale).

A subida a profissional chegou pela mão da LA Antarte em 2011. Integrou a equipa continental somando 3 vitórias, sendo a mais notável com a Selecção na 5ª etapa da Coppa delle Nazioni na Toscana, prova que terminou em 9º da geral. Nessa etapa superou dois corredores que estão actualmente na IAM Cycling, o suíço Sébastien Reichenbach e o norte-americano Larry Warbasse, e também o italiano Salvatore Puccio actualmente na Sky.

Nova mudança surgiu em 2012 com a contratação pela Carmim-Prio, de Tavira, regressando ao pódio nos Campeonatos Nacionais com o bronze no contra-relógio. Venceu a 2ª etapa da Volta às Terras de Santa Maria e na Volta a Portugal foi 13º na classificação da juventude. Uma vez mais pela Selecção Nacional correu a Coppa delle Nazioni na Toscana, alcançando um 8º lugar na 2ª etapa ganha por Youcef Reguigui (MTN-Qhubeka).

A oportunidade de correr no estrangeiro surgiu em 2013, uma aventura italiana com mais três jovens lusos na equipa Ceramica Flaminia-Fondriest. Este ano revelou-se importante pelo ganho de experiência em provas internacionais como o Giro del Trentino ou a Settimana Coppi e Bartali, onde terminou nos 20 primeiros da juventude. Contudo, a equipa não garantiu as condições mínimas aos ciclistas e o fim do ano marcou o fim da aventura italiana e o regresso a Portugal.

Novamente na equipa de Tavira, o ano de 2014 começou com uma boa prestação da esquadra no Dubai Tour. Já por terras lusitanas, destacou-se com o 9º lugar na Volta ao Alentejo e, mais importante, o 9º lugar na Volta a Portugal, mostrando capacidade e ambição para ser um futuro contender da prova rainha.

No presente ano de 2015, de regresso à LA Alumínios-Antarte, consolidou todo o poderio nato que possui, voltando aos triunfos na 1ª etapa da Volta ao Alto Tâmega, no contra-relógio e na geral do Grande Prémio Beira Baixa. Os lugares de destaque obtidos nas provas nacionais levaram-no a liderar em Junho e Julho o Ranking APCP ‘Ciclista do Ano’, ocupando a 4ª posição no final de Agosto. Um assinalável 4º lugar foi também alcançado nos Campeonatos Nacionais, sendo apenas superado na prova de fundo pelo campeão Rui Costa (Lampre-Merida), Joni Brandão (Efapel) e o internacional Tiago Machado (Katusha). Na Volta a Portugal esteve sempre na luta pelos lugares cimeiros, finalizando em 10º da geral. Ao nível internacional, terminou em 13º a Vuelta a Madrid.

Amaro Antunes alia a capacidade na montanha à desenvoltura no contra-relógio, mostrando margem de progressão nas duas vertentes. Assume-se sempre com vontade de vencer, bem alicerçada por uma mentalidade humilde e conhecedora das capacidades dos adversários com quem disputa as metas. Brilha a nível nacional e enfrenta com destreza o asfalto internacional. Os nomes com quem se bateu nas metas além-fronteiras são bem reveladores do seu valor. É uma pérola no pelotão nacional à espera de ser revelada aos olhares do mundo.

LA Alumínios-Antarte, 3ª equipa classificada da Volta a Portugal 2015
(© Helena Dias)
Amaro Antunes no Circuito de S. Bernardo, em Alcobaça
(© Helena Dias)

1 comentário:

  1. Anónimo11/9/15

    Mais uma vez parabéns pelo seu trabalho dando visibilidade aos ciclistas evidenciando o esforço o mérito enfim o trabalho que desenvolvem e que é muito pouco divulgado.Para quem gosta de ciclismo é de salientar o bom trabalho que tem feito na divulgação dos méritos dos ciclistas e da modalidade.

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