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Pedalar em Segurança é um Direito

Sob o lema "Pedalar em Segurança é um Direito", a Federação Portuguesa de Ciclismo lançou uma campanha para chamar a atenção sobre o número cada vez maior de atropelamentos a ciclistas, tendo como rostos principais David Rosa e Rui Costa.


O tema tem sido recorrente nos últimos tempos, em Portugal e no mundo, mas nunca é demais abordar o tema com exemplos práticos. Deste modo, passo a partilhar uma experiência vivida esta semana na zona onde moro, Loures, habitualmente utilizada para o treino de ciclistas e também por cicloturistas. Apesar de ser apaixonada por bicis, nunca andei de bicicleta e o meu meio de transporte é o automóvel, o que faz com que a minha leitura deste caso seja mais objectiva.

A caminho de Lisboa, pela Nacional 115, estavam dois ciclistas na minha faixa de rodagem e entre seguia mais um automóvel. Contra a lei, os ciclistas circulavam a par... e ainda bem! O condutor que se encontrava à minha frente, impaciente com a 'baixa' velocidade a que pedalavam, por várias vezes tentou ultrapassá-los, chegando ao ponto de quase embater contra eles. No entanto, não ultrapassou... não havia espaço suficiente na estrada para proceder à manobra, porque vinha um camião de grandes dimensões na faixa contrária. Assim que o camião passou por nós, o condutor não perdeu tempo, ultrapassando os ciclistas em aceleração e não dando sequer 1 metro de distância.

Assisto a casos similares a este quase todas as semanas. As altas velocidades praticadas numa estrada nacional, a falta de respeito e a pressa existente numa grande parte dos automobilistas fazem desta campanha, lançada pela Federação, um passo primordial para a sensibilização dos cidadãos e alteração do actual Código da Estrada. Merece divulgação!

Basta de Atropelamentos


Há que mudar mentalidades e comportamentos. A sociedade somos todos nós, a estrada é de todos nós.

Nos últimos tempos temos assistido a uma maré de atropelamentos a ciclistas, profissionais ou simplesmente fãs da bicicleta, que nalguns casos têm levado à morte. Em Portugal, na vizinha Espanha ou noutros países, tem vindo a aumentar o desrespeito por quem anda sobre as duas rodas e a indiferença não é solução. É de louvar iniciativas como a da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), ao promover uma Manifestação Nacional pacífica para o dia 19 de Janeiro, às 15 horas.

"Basta de Atropelamentos"... Lisboa, Porto, Faro, Guarda, Barcelos, Braga, Coimbra, Leiria, Machico, Seia, Vila Nova de Famalicão e Vila Real de Santo António já aderiram a esta iniciativa e mais poderão seguir o exemplo. É necessário chamar a atenção para este problema a fim de não voltarmos a perder vidas como as de Víctor Cabedo, Iñaki Lejarreta, Cristóbal Hermida e Burry Stander, referindo apenas as perdas mais recentes entre outras vidas anónimas. Não queremos voltar a ler mensagens como a de Rui Sousa, ciclista profissional da Efapel/Glassdrive, a recuperar de um recente atropelamento sofrido enquanto treinava com mais companheiros de profissão:

"É DIFÍCIL SER CICLISTA
Hoje sou uma das pessoas mais tristes deste mundo, hoje sinto que a morte esteve realmente perto, feliz por cá ainda estar mas, com uma raiva por dentro que nem imaginam... Onde está o respeito, onde está o civismo, até onde vai a loucura das pessoas. Hoje fui literalmente esmagado entre um carro e uma carrinha, porque o Sr. condutor do carro em plena rotunda fez marcha atrás de propósito e não me assassinou por milagre... EU PAGO IMPOSTOS COMO QUALQUER CIDADÃO, a estrada é o meu local de trabalho, eu faço 30 MIL KM de bicicleta no ano, eu não ando a BRINCAR às casinhas!! Sinto que um assassino me estragou a minha preparação, agora derramo as lágrimas por ter de estar inactivo durante um período indeterminado. E ELE?? VAI CONTINUAR A SUA VIDINHA... Eu terei de estar deitado a recuperar e a alucinar porque a bicicleta e a estrada é a minha vida. Tenho uma fractura no sacro, que desespero!!! Agradecer todas as msg telm, aqui no face, as chamadas telefónicas, agradecer a vossa força e apoio...
HOJE ME DESPEÇO TRISTE, REVOLTADO E ATÉ DESESPERADO MAS UM DIA VOLTAREI AINDA MAIS FORTE, PORQUE NADA DEMOVE O MEU SONHO...
RESPEITEM QUEM ANDA DE BICICLETA E RESPEITEM AS VELOCIDADES EM ESTRADAS SECUNDÁRIAS E TUDO É MAIS FÁCIL...
OBRIGADO A QUEM ME APOIA E ME MOTIVA.
BEIJINHOS E ABRAÇOS"
 

Víctor e Iñaki... un futuro por contar



Las palabras no pueden decir lo que realmente sentimos en un momento como lo de Iñaki Lejarreta. Hace tan poco tiempo hablábamos de Víctor Cabedo. ¿Qué cambió desde ese día de septiembre?... Nada en la protección a los ciclistas, todo en la vida de sus familiares. ¿Nosotros? Seguimos pidiendo más respecto por los ciclistas que, antes de deportistas, son vidas que se pierden y no volverán jamás.


Solamente 1,5m es lo que reivindicamos, solamente tener un poco de calma en la carretera, solamente mirar al otro y VER que allí, en una bicicleta, va una persona. En los días de hoy, el mundo está corriendo, nadie VE a nadie. Pasar por encima de un peatón, de un ciclista, hasta de un perro en la carretera es simplemente lo que muchos hacen en su vida cotidiana. Al contrario de la carretera, en la vida no se matan las personas, pero de igual modo son desvaloradas. Vidas que se pierden, futuros que ya no serán, presentes que se quedan destrozados... Así es el mundo en que vivimos y lo peor es existir la certeza en cada uno de nosotros que nada cambiará, porque seguiremos a tener casos como los de Víctor y de Iñaki, que no pasarán de números para llenar estadísticas.

Podría perderme en líneas sobre sus palmarés, pero eso será lo menos importante en esto momento. Dos vidas, dos ciclistas, dos héroes del ciclismo para tantos aficionados, dos seres que dejan en sus familias una tristeza imposible de amenizar. ¿Y por qué? Es la pregunta que queda. ¿Por qué no vemos al otro? ¿Por qué una vida merece hoy tan poco de nuestra atención? ¿Por qué una persona puede pasar por nosotros y ni la miramos? Eso pasa en la carretera, en el trabajo, en las familias, por veces, hasta entre amigos.


Buscamos los culpables, es natural. Queremos una explicación para el sucedido, es razonable. Ultrapasamos, muchas veces, el límite de informar con exactitud para pasar de inmediato a sacar conclusiones precipitadas, sin ni siquiera investigar lo que realmente ocurrió en el momento del accidente. La única conclusión que logro sacar de estas pérdidas irreparables es... vivimos deprisa demás. Como los conductores de los coches que, infortunadamente, dejaron el futuro de Víctor e Iñaki por contar, también en nuestras vidas corremos, no miramos al otro y, algunas veces, no miramos tampoco a nosotros.

Una vez más volvemos a pedir... se puede esperar unos segundos detrás de un ciclista en la carretera, se puede dar 1,5m de distancia... sólo no se puede traer sus vidas de vuelta.


[Fotos web: Iñaki Lejarreta, Cycling News, Google]