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André Cardoso feliz com o seu 1º Giro d’Itália

André Cardoso terminou recentemente a sua primeira incursão no Giro d’Itália. Ao serviço da equipa americana Garmin-Sharp, o português de 29 anos destacou-se pelo trabalho em equipa, uma fuga perto de o levar à vitória de uma etapa e ainda finalizar no Top 20 da Corsa Rosa.

À APCP – Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, André Cardoso confessou: «O balanço é extremamente positivo e estive dentro daquilo que idealizava para mim. Não posso desvalorizar o meu 20º lugar. Fico feliz e realizado, até porque é o 4º melhor resultado de sempre de um português no Giro. De todas as maneiras, acabou por ser um acréscimo ao meu desempenho. Desde o primeiro minuto sabia que a minha missão seria apoiar o meu líder, esse foi sempre o meu pensamento».

A dureza do Giro mostrou-se logo ao início com «As quedas. Ninguém gosta, mas eu caí cinco vezes! Nunca com consequências graves, mas com mazelas que te marcam e abalam psicologicamente». Contudo, André Cardoso superou as adversidades com a garra e força psicológica que o caracterizam, tendo o reconhecimento da equipa. «Gostamos de estar numa boa condição e ser protagonistas. Nesse aspecto, dentro daquilo que me era pedido sempre fiz o meu melhor. É também uma grande realização profissional ser reconhecido por todos na equipa e pelo meu líder mais de que uma vez publicamente».

Após o infeliz contra-relógio inicial, mostrou-se como factor decisivo na recuperação da equipa «O crer muito, o acreditar que seria possível dar a volta por cima. Temos uma equipa de trabalho enorme e fantástica. Desde mecânicos, massagistas, directores, ciclistas… tentamos sempre ter harmonia e um sorriso no rosto. Fazer dos aspectos negativos pequenas brincadeiras foi crucial para dar a volta ao marcador. Inclusive, estivemos perto de vitórias em etapa e de um pódio final».

Sobre a importância do resultado alcançado no Giro relativamente à continuidade do ciclista luso na Garmin-Sharp na próxima temporada, André Cardoso é esclarecedor: «Sim, os resultados são sempre importantes e sendo este o meu primeiro ano na equipa, ajuda muito, claro. Mas acima dos resultados, acho que o meu desempenho como gregário acaba por ser mais predominante no Giro d’Itália».

André Cardoso, Giro d'Itália [web oficial Garmin-Sharp]
André Cardoso, Giro d'Itália [web oficial Garmin-Sharp]

Entrevista por Helena Dias/APCP
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Giro d'Itália: vitória de Quintana e esplendor de Cardoso

Nairo Quintana (MOV) escreveu uma página inédita na história do ciclismo mundial ao conquistar a primeira Corsa Rosa para a Colômbia. Aos 24 anos, sagrou-se o grande vencedor do 97º Giro d’Itália.

Nairo Quintana vencedor do Giro [by www.gazzetta.it/Giroditalia/2014/it]

Vista como a mais bela das três grandes voltas, o Giro começou na Irlanda com 198 corredores, terminando em Itália reduzido a um pelotão de 156 heróis. Quintana (MOV) conquistou a maglia rosa ao fim de 88h14m32s, deixando o conterrâneo Rigoberto Urán (OPQ) a 2m58s e o italiano Fabio Aru (AST) a 4m04s. O ciclismo escreve-se pelas pedaladas de todos os heróis e a fechar o capítulo do Giro de 2014 esteve o holandês Jetse Bol (BEL), último da geral a 5h15m19s do colombiano.

Na montanha viveu-se uma dura batalha onde Julián Arredondo (TFR) conquistou a maglia azzurra, mais uma para a Colômbia, tendo como principais rivais Dario Cataldo (SKY) e Tim Wellens (LTB). Já na luta pelos pontos, prevaleceram os sprints vitoriosos de Nacer Bouhanni (FDJ) na conquista da maglia rossa perante Giacomo Nizzolo (TFR) e Roberto Ferrari (LAM). Sem surpresa, na juventude imperou uma vez mais Quintana (MOV) no triunfo da maglia bianca, que teve em Fabio Aru (AST), Rafal Majka (TCS) e Wilco Kelderman (BEL) um elenco de luxo nas pedaladas mais jovens, com todos a finalizarem no Top 10 da geral. Por equipas, a AG2R La Mondiale tudo fez para mexer na corrida em diversas etapas e quem sabe obter um triunfo com Domenico Pozzovivo (CG 5º a 6m32s). Essa meta ficou distante, prevalecendo contudo como a esquadra ganhadora diante da Omega Pharma-Quick Step e da Tinkoff-Saxo.

A última semana mostrou-se decisiva no desfecho de todas as classificações e igualmente marcante em momentos controversos, levando a uma mudança prematura na liderança da maglia rosa.

Rigoberto Urán (OPQ) iniciou a 3ª semana envergando a liderança do Giro. A 16ª etapa, apelidada como um verdadeiro pesadelo, ligou Ponte di Legno a Val Martello/Martelltal em 139 km. Além das três portentosas escaladas de Passo Gavia, Stelvio e o final em Val Martello, a dureza climatérica fez-se sentir uma vez mais nesta edição regando a jornada com chuva, neve, neblina e um frio a que só os heróis do asfalto conseguem fazer frente. Entre a dezena em fuga, coroaram as duas montanhas iniciais Robinson Chalapud (COL) o Passo Gavia (km 23,3) e Dario Cataldo (SKY) o Stelvio (km 70,3), seguindo-se uma descida envolta num nevoeiro difícil de decifrar, mas que deu início ao fim do reinado de Urán. Enquanto a Radio Corsa alertava para o perigo da descida, colocando motards com bandeira vermelha a assinalar essa mesma advertência, umas equipas interpretaram-no como uma neutralização enquanto outras não, nomeadamente um trio composto por Quintana (MOV), Pierre Rolland (EUC) e Ryder Hesjedal (GRS), que ganharam vantagem de forma a alcançar o sobrevivente da fuga, Cataldo (SKY), na dureza final de Val Martello e deixando-o para trás já em plena subida. Deste assalto à liderança de Urán (OPQ) resultou a nova liderança de Quintana (MOV) vencendo na meta com 4m11s de vantagem sobre o ex-líder rosa, chegando em 2º Hesjedal (GRS) a 8s e em 3º Rolland (EUC) a 1m13s.

Os directores desportivos dormiram sobre o assunto, acordando porém ainda insatisfeitos com o sucedido no dia anterior e pedindo explicações à organização do Giro, levando ao levantar de dúvidas quanto à realização da 17ª etapa. Após muita conversa e algum esbracejar, o pelotão saiu para os 208 km que ligaram Sarnonico a Vittorio Veneto. Debaixo de uma aparente tranquilidade, o grupo deixou sair em fuga 26 aventureiros, que acabariam por ganhar 15m de vantagem e disputar a etapa entre um quinteto mais resistente. Stefano Pirazzi alcançou a vitória, a terceira da Bardiani-CSF, sobre Wellens (LTB) e McCarthy (TCS).

O tempo voa e depressa chegou a 18ª etapa de 171 km, atacados por uma fuga de 14 logo após a saída em Belluno. A alta montanha esperava os aventureiros, que coroaram Passo San Pellegrino (km 54,5), seguindo-se o Passo del Redebus (km 122,8), onde a guerra da montanha se fez entre Arredondo (TFR), Cataldo (SKY) e Wellens (LTB). A fuga continuou na frente rumo à última ascensão, a 1ª cat. de Rifugio Panarotta com a meta a aguardar o triunfador do dia. No início da derradeira escalada, De Gendt (OPQ) abriu as hostilidades, mas a 16 km do final mostrou ser muito cedo, pois ao longo da subida foi alcançado e ultrapassado pelos companheiros de fuga, conquistando a vitória Arredondo (TFR) a 17s de Duarte (COL) e 37s de Deignan (SKY). No grupo dos favoritos, a Europcar juntamente com a Movistar marcaram sempre o ritmo, sem provocar diferenças entre os primeiros da geral, à excepção de Cadel Evans (BMC), que cairia da 3ª para a 9ª posição.

Envolta em muita expectiva, seguiu-se a crono-escalada da 19ª etapa. De Bassano del Grappa a Cima Grappa, quem seria o mais forte? Com uma pendente máxima de 14% a surgir na parte final do esforço individual, os 26,8 km responderam de forma inequívoca à questão. Quintana (MOV) escalou para a segunda vitória e consolidação da liderança num tempo de 1h05m37s (24,506 km/h). Urán (OPQ) lutou, pedalando o 3º melhor tempo, a 1m26s do seu mais directo rival. Em 2º, numa actuação fulminante e surpreendente, terminou o jovem Aru (AST), somente a 17s.

Restava a derradeira oportunidade de tentar mudar o rumo da história, não tanto a consistente liderança, mas sim os frágeis demais lugares do pódio separados por segundos. A 20ª etapa tinha pela frente 167 km iniciados em Maniago e o final no temível Monte Zoncolan (1ª cat.), passando por Passo del Pura e Sella Razzo. Esperava-se uma autêntica contenda entre os primeiros da geral, mas a realidade foi outra. Da fuga de 19 saiu o pódio da jornada. Michael Rogers (TCS) triunfou pela segunda vez, sendo esta uma conquista especial, já que o Zoncolan é o ‘inferno’ que muitos escaladores não se importariam de ter no palmarés. A 38s terminaria Pellizotti (AND) e a 49s Bongiorno (BAR). Envolto numa impactante maré de Tifosi, o pódio da geral terminou no cume de Zoncolan sem as esperadas diferenças nem muita luta para que tal sucedesse.

No último dia, Gemona del Friuli recebeu o pelotão para os derradeiros 172 km até Trieste. Na 21ª etapa viveu-se a consagração de Nairo Quintana (MOV) como o grande vencedor do Giro d’Itália e a última emoção de um sprint ganho por Luka Mezgec (GIA) diante de Nizzolo (TFR) e Farrar (GRS).

CG 97º Giro d'Itália [by Helena Dias]

Entre os 198 heróis a iniciar o 97º Giro d’Itália, Portugal vibrou com a prestação do único luso em prova… definitivamente, André Cardoso (GRS) não começou com a pedalada direita a estreia na Corsa Rosa. Uma queda impiedosa no contra-relógio por equipas inicial deitou por terra a luta da equipa americana pelo pódio, perdendo logo Dan Martin e Koldo Fernández. A sorte continuou a fugir do português e dos companheiros, que enfrentaram mais quedas nas etapas seguintes, deixando feridas difíceis de superar. Contudo, já em asfalto italiano, André Cardoso foi subindo na geral, deixando para trás os três dígitos e terminando a 2ª semana dentro do Top 30, a par do seu líder Ryder Hesjedal no Top 15. Longe de uma batalha fácil, perderiam ainda Fabian Wegmann, Dylan Van Baarle e Thomas Dekker. Uma Garmin-Sharp de 9 terminaria com 4 guerreiros e uma recuperação extraordinária. Ao 9º lugar de Hesjedal (+13m35s) somaram o 20º de Cardoso (+51m09s), terminando em 104º Nathan Haas (+3h34m24s) e em 147º Tyler Farrar (+4h38m00s).

André Cardoso respondeu na estrada ao porquê de subir ao WorldTour como aposta da Garmin-Sharp. Aos 29 anos somou a 3ª participação numa grande volta, tendo terminado a Vuelta a España em 16º (2013) e 21º (2012). O 20º lugar neste Giro reflectiu não só as qualidades de excelente trepador, bem como a faculdade de ultrapassar psicologicamente as maiores adversidades e manter-se forte no apoio ao seu líder. Entre todas as imagens, jamais se esquecerão duas…
 
André Cardoso na subida do Stelvio [by Ashley Gruber]
Hesjedal e Cardoso na chegada do Monte Zoncolan
[FB Oficial André Cardoso]
Fine del 97º Giro d'Italia........


(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Giro d’Itália: 2ª semana da Corsa Rosa

A 2ª semana do 97º Giro d’Itália foi marcada pela mudança de líder, emoção q.b. e vitórias surpreendentes. Tudo numa semana em que se recordou Marco Pantani nas chegadas a Oropa e Montecampione, homenageando ‘Il Pirata’ 10 anos após a sua morte.
 
Rigoberto Urán (Foto www.gazzetta.it/Giroditalia/2014/it)

Revigorado após o 2º dia de descanso, o pelotão enfrentou na 10ª etapa um percurso não muito longo de 173 km entre Modena a Salsomaggiore Terme. Longe da dureza esperada mais para o final da semana, a sempre existente fuga fez-se pela dupla italiana Fedi (NRI) e Bandiera (AND), que viu o sonho terminar a 9 km da meta, onde Nacer Bouhanni (FDJ) conquistou a sua terceira vitória no Giro. Um poderoso sprint frente a Nizzolo (TFR) e o antigo maglia rosa Matthews (OGE), que abandonaria a prova antes de nascer o novo dia.

Cadel Evans (BMC) seguiu seguro de rosa para a 11ª etapa, já sem um dos companheiros no pelotão. Yannick Eljssen sofrera uma queda no dia anterior, reduzindo a armada da BMC a 8 unidades. Com tranquilidade percorreram os longos 249 km de Collecchio a Savona, onde a aventura de 14 corredores viu terminar a fuga antes do final da última dificuldade em Naso Di Gatto, momento eleito por Michael Rogers (TCS) para ganhar vantagem na descida, ainda a 24 km do final. O australiano da Tinkoff-Saxo chegaria à vitória em solitário na meta, triunfo sentido como uma lufada de ar fresco após o período de afastamento, desde o outono passado por controlar positivo a clembuterol, sendo absolvido pela UCI. Com 10s de vantagem triunfou sobre o pelotão, no qual Simon Geschke (GIA) fez 2º e Enrico Battaglin (BAR) 3º, já cheirando uma possível vitória.

Mas as expectativas concentravam-se na 12ª etapa. O tão aguardado contra-relógio individual levou os corredores a percorrerem 41,9 km de estrada perigosamente molhada entre Barbaresco e Barolo. O clima mostrava-se impiedoso com o Giro e todo o cuidado era pouco para os favoritos à geral não perderem tempo ou até conseguirem algum ganho relativamente ao líder Cadel Evans (BMC). O esforço individual ditou a perda da liderança, mesmo Evans fazendo o 3º melhor tempo… O colombiano Rigoberto Urán (OPQ) voou para a vitória da etapa em 57m34s, fazendo história no Giro. Pela primeira vez, um colombiano envergava a maglia rosa e o momento jamais será esquecido. Histórica poderia ter sido igualmente a terceira vitória de Diego Ulissi (LAM), mas o voo de Urán não permitiu, acabando o italiano por realizar o 2º melhor tempo a 1m17s, com Evans em 3º a 1m34s e descendo a 2º da geral. Este dia ficou marcado pela queda de Tobias Ludvigsson (GIA), levando-o a abandonar o Giro à imagem de Chris Anker Sorensen (TCS), que apesar de terminar a etapa do dia anterior de forma inacreditável massacrado pela queda, por conselho médico não partiu para o contra-relógio.

Em novo dono colombiano, a maglia rosa mostrava-se ao rubro, mostrando ser totalmente imprevisível o desfecho da 97ª edição. Antes da alta montanha surgir, a 13ª etapa esperava uma chegada ao sprint. O pelotão pedalou tranquilo desde Fossano até perto do final dos 157 km a marcar a linha de meta em Rivarolo Canavese. Tão tranquilo, que parece ter esquecido o sexteto em fuga. Subestimado o sonho da fuga, o final foi pedalado a todo o gás pelos comboios dos máximos favoritos ao sprint… mas era tarde demais e do sexteto restou um trio, onde o italiano Marco Canola (BAR) surpreendeu oferecendo a sua primeira vitória no Giro à ‘pequena’ Bardiani-CSF entre as grandes WorldTour, deixando em 2º Jackson Rodríguez (AND) e em 3º Angelo Tulik (EUC).

Não se pense que a Bardiani ficaria por aqui. Reforçada na sua auto-confiança, a armada italiana viria a conquistar a 14ª etapa. No primeiro desafio de alta montanha, o pelotão partiu de Agliè e atravessou 164 km montanhosos até à chegada de 1ª cat. em Oropa, recordando a escalada mítica de Pantani em 1999. Saltando para a actualidade, a dureza da jornada começou a sentir-se na 3ª cat. de La Serra (km 30,5), seguindo-se a 1ª cat. de Alpe Noveis (km 95), passando pela 2ª cat. de Bielmonte (km 122,4) e, por último, a escalada até à meta onde o Santuário de Oropa –Património da Unesco– servia de cenário idílico ao possível ataque à liderança de Urán (OPQ). A fuga tentada por 21 corredores parecia mostrar-se infrutífera, mas seria dela a vitória da jornada. Nem os ataques vindos do pelotão por Pierre Rolland (EUC), Ryder Hesjedal (GRS), entre outros, conseguiram enfraquecer quem seguia na frente. Contudo, testavam a força dos favoritos e nesse teste a AG2R foi exímia com Alexis Vuillermoz e Domenico Pozzovivo a dizimar o grupo já restrito. Pozzovivo ainda tentou fazer a diferença a 3,7 km do final, mas o ataque não produziu consequências de maior, cedendo Urán (OPQ) uns segundos na geral e Evans (BMC) aguentando ao seu ritmo o 2º lugar na geral. Apesar da animação entre este grupo, a vitória na meta caberia a um dos resistentes em fuga. O italiano Enrico Battaglin escreveria o seu nome no Giro, assegurando a segunda vitória consecutiva da Bardiani, com 7s sobre Dario Cataldo (SKY) e a 17s de Jarlinson Pantano (COL).

Antecedendo o 3º dia de descanso havia que superar a 15ª etapa, a segunda de alta montanha. Os 225 km iniciados em Valdengo escondiam na sua quase total planura a dureza do final em Plan di Montecampione, a 1ª cat. de 19,4 km de extensão, onde Marco Pantani venceu o Giro de 1998 num duelo inolvidável com Pavel Tonkov. A facilidade inicial propiciou uma fuga logo aos primeiros quilómetros. Entre os heróis da frente, Portugal vibrou com a actuação de André Cardoso (GRS). O corredor luso da Garmin-Sharp pedalou uma etapa heroica, faltando apenas a merecida vitória ao final. Lutou pelo sonho da fuga na parte plana e deu ainda mais luta no início da derradeira escalada. Montecampione viu cada um dos companheiros de fuga de André Cardoso ficar para trás, viu os favoritos à geral digladiar-se metro atrás metro de subida ultrapassada, viu os ataques de Rolland (EUC), a defesa da liderança de Urán (OPQ), a persistência de Evans (BMC)… Viu a supremacia de Fabio Aru (AST) a ultrapassar tudo e todos para a vitória aguerrida na meta, golpeando a perseguição de Fabio Duarte (COL) para o 2º lugar e de Nairo Quintana (MOV) para 3º, ambos a 21 e 22s do seu cruzar glorioso no alto. Montecampione viu verdadeiros campeões debaterem-se na sua dureza, mas também viu a heroicidade do português André Cardoso, que após batalhar pela possível vitória ainda disse presente quando o seu líder Ryder Hesjedal (GRS) precisou de apoio na escalada final.

Aliás, a Garmin-Sharp espelha bem a subtileza do Giro d’Itália, uma batalha imprevisível do princípio ao fim. Da queda vertiginosa do contra-relógio por equipas inicial, a armada americana não baixou os braços e elevou o líder Hesjedal a 11º da geral. Os 6m44s de distância para o maglia rosa Rigoberto Urán (OPQ), parecem de somenos importância quando olhamos ao esforço e trabalho de uma equipa, que vê ainda André Cardoso terminar a 2ª semana em 28º da geral (+30:24”).

O que esperar da 3ª semana do Giro? Certamente, muita batalha entre os primeiros classificados. Tudo se mostra em aberto quanto à liderança histórica de Urán (OPQ), presa por 1m03s sobre o veterano Evans (BMC) e 1m50s do jovem Majka (TCS), nunca esquecendo a sempre temerária ameaça do conterrâneo colombiano Quintana (MOV) a 2m40s e os italianos à espreita Aru (AST) a 2m24s e Pozzovivo (ALM) a 2m42s. Tudo pode acontecer nas 6 derradeiras etapas, onde as chegadas a Val Martello/Martelltal (ET16), Rifugio Panarotta (Et18) e Monte Zoncolan (Et20), a par da crono-escalada de Cima Grappa (Et19), esperam ter um papel fundamental no desfecho da ‘più bella corsa del mondo’.

CG após 15ª etapa [by Helena Dias]

(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Giro d’Itália: finalmente território italiano

O 97º Giro d’Itália viveu os seus três primeiros dias na Irlanda sob intensa chuva e frio. O pelotão ansiava pela entrada em território italiano, o que sucedeu ao quinto dia de prova, após o primeiro dia de descanso. Quanto à chuva… essa continuou a acompanhar os heróis do asfalto, provocando a neutralização de uma etapa quase por completo, várias quedas e múltiplos abandonos. Mas ninguém disse que a Corsa Rosa ia ser fácil, nunca o foi nas 96 edições anteriores.
 
Cadel Evans (Foto www.gazzetta.it/Giroditalia/2014/it)

De sul para norte, a ‘bota italiana’ começou a ser pedalada em Giovinazzo, local da partida para os 112 km da 4ª etapa com chegada a Bari. Sem fugas nem ataques, sempre compacto e com muita conversa à mistura, o pelotão decidiu neutralizar a jornada pela perigosidade do asfalto molhado, chegando ao acordo possível com a organização de apenas disputar a meta. Ainda assim, na preparação do sprint final, as quedas sucederam-se mostrando que o pelotão tinha razão sobre as condições de corrida. A vitória coube a Nacer Bouhanni (FDJ), a sua primeira conquista no Giro e sem o adversário mais perigoso em prova. O vencedor de duas etapas anteriores, Marcel Kittel (GIA), abandonava a prova ainda antes de cruzar os céus rumo a Itália, devido a febre.

A maglia rosa permaneceu em Michael Matthews (OGE), seguindo-se a primeira jornada de média montanha, que serviu para medir o pulso -ou melhor, as pernas-, dos favoritos à geral. De Taranto a Viggiano pedalaram-se 203 km com uma fuga de 11 corredores a terminar a 14 km do final. Gianluca Brambilla (OPQ) ainda tentou abrilhantar o seu palmarés com uma vitória numa grande volta, mas a Katusha de ‘Purito’ foi impiedosa na perseguição, lucrando não o espanhol com o fim deste intento a 1,4 km do final, mas sim Diego Ulissi (LAM), que a 200m saltou do grupo onde se mantinham os favoritos para agarrar a vitória da 5ª etapa. Mostrando-se em plena forma, Cadel Evans (BMC) cruzou em segundo a linha, buscando as bonificações. Matthews (OGE) não tremeu e defendeu a liderança rosa por mais um dia.

Chegados à 6ª etapa, mais um contratempo para ser resolvido. Em consequência de um desmoronamento na localidade de Polla, os 247 km transformaram-se em 257 km, fazendo desta a etapa mais longa do Giro, vivida em fuga até 12 km da meta por Fedi (NRI), Bandiera (AND), Zardini (BAR) e Torres (COL). À partida de Sassano, ninguém pensaria nesta etapa como sendo decisiva para alguns favoritos. Precisamente antes da subida final da 2ª categoria de Montecassino, duas quedas levaram inúmeros corredores ao solo e a maioria do pelotão a ficar atrasada, destacando-se na frente um pequeno grupo com Evans (BMC) e o líder Matthews (OGE). O favorito à geral terminou em terceiro, acedendo uma vez mais às bonificações da meta. O maglia rosa venceu a jornada, conservando uma vez mais a camisola tão desejada. A queda tornar-se-ia decisiva para alguns corredores que abandonaram ainda nesse dia o Giro, como o caso de, entre outros, Brajkovic (AST), Villella (CAN) e a Katusha a ser devastada sem Caruso, Vicioso e o líder Joaquim Rodríguez. O sonho rosa terminava assim para ‘Purito’.

Outros continuavam no sonho rosa e na 7ª etapa Bouhanni (FDJ) foi novamente feliz na meta, conquistando a sua segunda vitória na chegada a Foligno, depois de 211 km pedalados desde a partida em Frosinone e batendo a concorrência renhida de Nizzolo (TFR) e Mezgec (GIA). E Matthews (OGE)? Bem, continuava de rosa!

Novo dia e a média montanha à espera do pelotão. A 8ª etapa levou os heróis de Foligno a Montecopiolo, nada mais do que 179 km para Matthews (OGE) se despedir da maglia rosa e Cadel Evans (BMC) começar a tornar o seu sonho realidade. De uma fuga inicial de 10 corredores, foi o colombiano Arredondo (TFR) quem deu mais espectáculo neste dia, levando o seu intento quase até ao final. Ainda passou as duas primeiras dificuldades do dia na frente, Cippo Di Carpenga (km 143,4), por onde ‘Il Pirata’ Marco Pantani costumava treinar, e Villaggio Del Lago (km 169,3). Ainda chegou à sua companhia Pierre Rolland (EUC), mas o esforço de ambos acabou por ser inglório, pois do grupo restrito do pelotão em perseguição sucederam-se os ataques nos últimos metros da subida de Montecopiolo, com Diego Ulissi (LAM) a agarrar a segunda vitória neste Giro e Evans (BMC) a assumir a liderança rosa.

Ainda antes do segundo dia de descanso, o pelotão pedalou a 9ª etapa numa extensão de 172 km entre Lugo e a chegada à 2ª categoria de Sestola. Desta feita, da numerosa fuga inicial de 13 corredores, a valentia maior coube a Pieter Weening (OGE) e Davide Malacarne (EUC). A dupla conseguiu levar a bom porto o sonho da fuga, logrando a vitória o holandês Weening, terminando em seguida o italiano Malacarne. Entre o grupo dos favoritos, já sem ‘Purito’ (KAT) na batalha rosa, destacou-se o ‘pequeno’ italiano Domenico Pozzovivo (ALM), pedalando um ataque glorioso na última ascensão do dia, levando-o a escalar vários lugares na geral, do 10º para o 4º lugar.

Terminada a primeira fase do Giro, há que louvar a actuação da Orica-GreenEdge, que guardou por vários dias a liderança de Michael Matthews, o qual ainda venceu uma etapa a par de Weening, não esquecendo o triunfo do contra-relógio colectivo inicial. Cadel Evans (BMC) brilha de rosa, uma liderança alcançada inteligentemente, com quase um minuto de vantagem para os seus mais directos adversários. Além do bom começo no contra-relógio por equipas, o veterano australiano buscou bonificações em duas etapas e, segundo a segundo, foi guardando o primeiro lugar com cuidado, sabendo que o perigo pode espreitar a qualquer momento vindo de Rigoberto Urán (OPQ), Nairo Quintana (MOV), Rafal Majka (TCS) ou até um outro corredor surpresa.

Tudo pode acontecer a duas semanas e doze etapas do final. E a maior dureza montanhosa ainda está por superar, bem como dois contra-relógios individuais, um deles em crono escalada. Assim, o Top 3 da geral termina a primeira semana do Giro com Evans (BMC) no 1º lugar, seguido de Urán (OPQ) em 2º (+57”) e Majka (TCS) em 3º (+1:10”). Um pouco mais distante, mas sempre pronto a escalar para o pódio, encontra-se o colombiano Quintana (MOV) na 9ª posição (+1:45”).

Quanto ao único herói lusitano presente nesta 97ª edição, silenciosamente André Cardoso (GRS) subiu na geral ao longo destas primeiras etapas vividas em território italiano, esquecendo o desafortunado começo irlandês e ocupando agora o 41º lugar da geral (+18:07”).
 
CG após 9ª etapa [by Helena Dias]

(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Giro d’Itália: os primeiros dias na Irlanda

A Irlanda do Norte engalanou-se de rosa para os três dias iniciais do 97º Giro d’Itália, onde Marcel Kittel (GIA) e Michael Matthews (OGE) foram os grandes protagonistas. Belfast recebeu as duas primeiras jornadas e a terceira pedalou-se entre Armagh e Dublin. O alemão Kittel sprintou para duas impressionantes vitórias, o australiano Matthews (OGE) assumiu a liderança da maglia rosa no segundo dia, recebendo-a do seu companheiro canadiano Svein Tuft, líder na jornada inaugural.
 
Michael Matthews (Foto www.gazzetta.it/Giroditalia/2014/it)

Os ‘escarabajos’ da equipa Colombia deram o tiro de partida no contra-relógio colectivo do dia inaugural. A chuva apareceu e acompanhou várias equipas no decorrer dos 21,7 km, onde a Orica-GreenEdge foi a mais forte entre as 22 armadas com um tempo de 24m42s. A Omega Pharma-Quick Step esteve a 5s do triunfo e a BMC, do favorito Cadel Evans, gastou apenas mais 7s numa demonstração de força logo à partida.

O sonho rosa começou bem para a equipa australiana e Svein Tuft, primeiro maglia rosa no dia do seu 37º aniversário. Mas se para uns o sonho começou em pleno, para outros foi um verdadeiro pesadelo. A Garmin-Sharp viu quatro dos corredores sentirem a dor do asfalto, não só no corpo como na alma da equipa… a correr em casa, o irlandês Daniel Martin, que sonhava com a batalha pela geral, disse adeus ao Giro com fractura de clavícula, bem como o companheiro Koldo Fernández. Apesar do infortúnio da queda, Nathan Haas e André Cardoso não sofreram consequências de maior, continuando numa batalha que se tornou ainda mais dura psicologicamente, agora focados em Ryder Hesjedal como líder e também na busca por vitórias em etapas.

A segunda etapa viveu-se quase na sua totalidade junto à costa, novamente tendo por companhia a tão pouco querida chuva. Sem grande história ao longo dos 219 km de jornada, um quarteto esteve em fuga até bem perto do final -Tjallingii (BEL), Romero (COL), Armée (LTB) e Fedi (NRI)-, proporcionando alguma animação na  luta pelas duas metas de montanha, onde Tjallingii agarrou a primeira maglia azzurra. Por sua vez, a Orica-GreenEdge juntamente com a Giant-Shimano e, finalmente, a Cannondale derreteram a vantagem da aventura, que animou um pouco mais a etapa com os derradeiros ataques dos fugitivos à falta de 8 km para o final. Novamente, o corredor da Belkin foi protagonista sendo o último alcançado a 3 km da meta. Sem surpresa, após uma apertada curva a 300m da linha final, o máximo favorito Marcel Kittel (GIA) sprintou para a vitória da etapa, frente a Nacer Bouhanni (FDJ) e Giacomo Nizzolo (TFR), alcançando assim a vitória de etapa que lhe faltava no palmarés das três grandes voltas.

Na terceira e última etapa vivida na Irlanda, entre Armagh e Dublin, o holandês Tjallingii (BEL) não perdeu tempo e rumou à fuga da jornada de 187 km para defender a liderança da maglia azzurra, conseguindo-o acompanhado na aventura por Godoy (AND), Rubiano (COL), Cecchinel (NRI) e Dockx (LTB). Uma vez mais, o pelotão trabalhou para uma chegada ao sprint e a fuga terminou a 7 km da linha de meta. Na capital irlandesa, a multidão de Tifosi aplaudiu o aniversariante do dia, Marcel Kittel (GIA), dono de um ‘sprintazo’ de deixar qualquer um de boca aberta… Kittel fez uma recuperação incomparável nos últimos metros, passando toda a concorrência, vindo pela direita dos adversários até ao cruzar vitorioso da linha de meta, deixando atrás de si Ben Swift (SKY) e Elia Viviani (CAN).

O Giro despediu-se da Irlanda com Michael Matthews (OGE) de maglia rosa e os primeiros 427,7 km pedalados entre muita chuva e algumas quedas, contudo uma aposta ganha por parte do organizador RCS Sport em levar a ‘Corsa Rosa’ até à ilha irlandesa, onde foi sempre recebido com enchentes de Tifosi ao longo das três etapas. Esta segunda-feira, dia de descanso, o pelotão ruma a Itália para travar a batalha dos restantes 3017,7 km.

Olhando às posições de alguns favoritos à geral, Cadel Evans (BMC) ocupa o 14º lugar (+21”), Nairo Quintana (MOV) o 59º lugar (+1:09”) e Joaquim ‘Purito’ Rodríguez (KAT) o 116º lugar (+1:47”). Tudo em aberto para a verdadeira dureza que espera o pelotão nas etapas montanhosas do 97º Giro, para as quais o português André Cardoso (GRS) parte ocupando a 185ª posição da geral (+6:11”).

CG após 3ª etapa [by Helena Dias]

(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Giro d’Itália 2014 e os Portugueses ao longo da história


Poucos dias separam os fãs de ciclismo da mais bela prova por etapas do calendário internacional. O Giro d’Itália 2014 irá percorrer 3.445,4 km entre os dias 9 de Maio e 1 de Junho, com o aliciante começo na Irlanda do Norte.

Assim será, 3 das 21 etapas serão vividas além-fronteiras italianas. Os três dias iniciais levam a ‘Corsa Rosa’ a Belfast, Armagh e Dublin, onde o pelotão disputa o primeiro de três contra-relógios desta edição, sendo este por equipas, e ainda duas etapas planas. Segue-se um dia de descanso para voar até solo italiano. A partir da quarta jornada, Itália é pedalada em toda a sua extensão entre dois contra-relógios individuais, um dos quais uma crono-escalada, seis jornadas para os sprinters tentarem a sorte e muita montanha nos demais dias, sendo a jornada mais longa a 11ª de 249 km entre Collecchio e Savona.

Em números, a 97ª edição do Giro resume-se a uma dureza de 3 contra-relógios, 8 etapas para chegadas ao sprint, 5 de média montanha sendo 4 com chegada em alto e 5 de alta montanha igualmente com chegada em alto. Tudo mesclado com 3 dias de merecido descanso.

Além de todo o esplendor que o Giro encerra em si, muito pelas paisagens de cortar a respiração e a paixão dos 'Tifosi' nas estradas, em 2014 terá ainda mais momentos assinaláveis. Dez anos após a morte d’Il Pirata, Marco Pantani é lembrado com três escaladas em sua honra: Cippo Di Carpegna (Et8), onde era seu hábito treinar, e as chegadas em alta montanha a Oropa (Et14) e Plan Di Montecampione (Et15), onde viveu duas das suas memoráveis vitórias. Certamente inesquecíveis serão as restantes chegadas em alto no Val Martello/Martelltal (Et16), Rifugio Panarotta (Et18) e no Monte Zoncolan (Et20), bem como as escaladas de Passo Gavia e Passo Dello Stelvio (Et16).

Ao longo dos anos, vários foram os rostos lusos na famosa batalha ‘Fight For Pink’. Este ano, apenas um guerreiro lusitano marca presença entre as 22 armadas do pelotão. Em ano de estreia numa equipa WorldTour, o português André Cardoso irá estrear-se aos 29 anos no Giro d’Itália pela Garmin-Sharp, equipa vencedora em 2012 com o canadiano Ryder Hesjedal. Em 2014, a equipa americana disputará o Giro com André Cardoso acompanhado por Daniel Martin, Dylan Van Baarle, Fabian Wegmann, Koldo Fernández, Nathan Haas, Ryder Hesjedal, Thomas Dekker e Tyler Farrar.

André Cardoso (Foto @ACardoso84)

Sempre na esperança de ver brilhar novamente um português na ‘Corsa Rosa’, Portugal tem um historial com momentos de verdadeira glória na prova italiana. Senão, vejamos… Mais recentemente, após 10 anos de ausência, 2011 marcou o regresso dos portugueses com Bruno Pires (Leopard DNF), Tiago Machado (RadioShack CG 19º) e Manuel Cardoso (RadioShack DNF). Esse será para sempre um ano que ninguém esquecerá pela infeliz morte de Wouter Weylandt na descida de Passo del Bocco, companheiro de Bruno Pires, levando toda a equipa a deixar a prova nesse ano. Em 2012 foi a vez de Nelson Oliveira (RadioShack CG 64º) pedalar o asfalto rosa e em 2013 regressou Nelson (RadioShack CG 81º) com Tiago Machado (RadioShack CG 36º) e Bruno Pires (Saxo-Tinkoff CG 61º), acrescentando ainda a presença de Ricardo Mestre (Euskaltel-Euskadi CG 145º). Até então, a última vez que Portugal tinha estado presente foi em 2001, quando José Azevedo (Once) alcançou o melhor resultado de sempre de um corredor luso na geral, um brilhante 5º lugar.

Antes desse feito há que recuar até 1995, o único ano em que uma equipa 100% lusitana pedalou o Giro, falamos da Sicasal-Acral com Quintino Rodrigues (CG 41º), Joaquim Gomes, Serafim Vieira, Manuel Abreu, Carlos Pinho e Pedro Silva, tendo os três primeiros terminado a prova e voltando no ano seguinte apenas Quintino Rodrigues pela Kelme-Artiach. Pelo meio, encontramos a dupla Américo Silva e Orlando Rodrigues, presentes em 1993 pela Artiach e em 1999/2000 pela Banesto também com Cândido Barbosa. Não podemos esquecer o ano 1976, no qual o mítico Joaquim Agostinho (DNF), acompanhado de Fernando Mendes (CG 17º), experimentou a prova italiana pela esquadra Teka.

Todavia, o maior de todos os nomes lusos no Giro foi o de Acácio da Silva, que entre os anos de 1982 e 1993 venceu 5 etapas, sempre ao serviço das equipas estrangeiras Royal-Wrangler, Eurotex-Mavic, Malvor-Bottechia, Carrera e Festina-Lotus. De todas as vitórias, a mais marcante é a de 1989, na 2ª etapa com chegada ao Monte Etna, que lhe trouxe a glória de envergar por dois dias a desejada ‘maglia rosa’. Conseguiu a sua melhor classificação na geral em 1986, com um brilhante 7º lugar, ano em que triunfou na chegada da 9ª etapa em Rieti e na 21ª em Bolzano. Anteriormente, no ano de 1985 já tinha triunfado na chegada da 8ª etapa a Matera e da 10ª em Paola.

Sem dúvida, o Giro d’Itália é das corridas mais duras e belas que um ciclista pode enfrentar. Três semanas que nenhum fã das duas rodas quererá perder e poderá seguir em directo na televisão, através do Eurosport (ver programação). No dia 1 de Junho será revelado o nome de quem sucede ao tubarão italiano Vincenzo Nibali (Astana), vencedor em 2013 da ‘maglia rosa’.

www.gazzetta.it/Giroditalia/2014/it/

ETAPAS GIRO D’ITÁLIA 2014
1 Etapa – 21,7 km Belfast / Belfast (CRE)
2 Etapa – 219 km Belfast / Belfast (plano)
3 Etapa – 187 km Armagh / Dublin (plano)
Descanso
4 Etapa – 112 km Giovinazzo / Bari (plano)
5 Etapa – 203 km Taranto / Viggiano (média montanha)
6 Etapa – 247 km Sassano / Montecassino (média montanha)
7 Etapa – 211 km Frosinone / Foligno (plano)
8 Etapa – 179 km Foligno / Montecopiolo (média montanha)
9 Etapa – 172 km Lugo / Sestola (média montanha)
Descanso
10 Etapa – 173 km Modena / Salsomaggiore Terme (plano)
11 Etapa – 249 km Collecchio / Savona (média montanha)
12 Etapa – 41,9 km Barbaresco / Barolo (CRI)
13 Etapa – 157 km Fossano / Rivarolo Canavese (plano)
14 Etapa – 164 km Agliè / Oropa (alta montanha)
15 Etapa – 225 km Valdengo / Plan Di Montecampione (alta montanha)
Descanso
16 Etapa – 139 km Ponte Di Legno / Val Martello/Martelltal (alta montanha)
17 Etapa – 208 km Sarnonico / Vittorio Veneto (plano)
18 Etapa – 171 km Belluno / Rifugio Panarotta (Valsugana) (alta montanha)
19 Etapa – 26,8 km Bassano Del Grappa / Cima Grappa (CRI crono escalada)
20 Etapa – 167 km Maniago / Monte Zoncolan (alta montanha)
21 Etapa – 172 km Gemona Del Friuli / Trieste (plano)


Lista equipas ProCyclingStats
Web oficial Giro d'Itália
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Itzulia: Contador conquista Vuelta al País Vasco

Alberto Contador vencedor de Itzulia (Foto www.berria.info)

O alemão Tony Martin (Omega Pharma-Quick Step) conquistou a segunda vitória em etapas no derradeiro dia de Itzulia, triunfando no contra-relógio individual, especialidade em que é tri-campeão do mundo. Alberto Contador (Tinkoff-Saxo) esteve muito perto de alcançar a vitória da etapa, defendendo-se brilhantemente na estrada e convertendo-se no grande vencedor da Vuelta al País Vasco pela terceira vez na sua carreira, uma corrida marcante pelas paisagens, dureza das etapas e entrega dos aficionados bascos em cada ascensão.

Ao longo dos seis dias de prova, a luta pela amarela esteve bastante acesa, principalmente entre dois protagonistas, Alberto Contador (Tinkoff-Saxo) e Alejandro Valverde (Movistar). Os dois espanhóis chegaram ao contra-relógio individual, pedalado hoje em Markina-Xemein, separados por escassos 12 segundos, que durante os 25,9 km de percurso foram ganhando mais e mais distância a favor do ‘Pistolero’, levando ‘Bala’ a cair para o quinto lugar da geral.

Entre o terreno plano e duas subidas a meio da luta individual, os altos de Gontzagaigana e Santa Eufemia, o campeão mundial da especialidade Tony Martin (Omega) não deixou escapar a vitória, terminando com um tempo de 38m33s na meta. Por muito pouco, Alberto Contador (Tinkoff) não venceu a etapa, ficando em segundo a 7s do alemão, que viu o companheiro de equipa Michal Kwiatkowski pedalar um fantástico terceiro lugar, gastando mais 15s e subindo o campeão polaco ao segundo lugar da geral final, a qual ficou completa com o francês Jean-Christophe Peraud (AG2R La Mondiale) no terceiro lugar ao finalizar hoje o contra-relógio na quinta posição.

Alberto Contador (Tinkoff) mostra-se imparável esta temporada tendo agarrado hoje a sexta vitória no início do ano, retribuindo assim todo o trabalho realizado pela equipa ao longo da prova basca, como no caso da dupla lusa Bruno Pires e Sérgio Paulinho, que hoje já não lutaram contra o relógio, tendo finalizado o seu trabalho no dia anterior à imagem de mais três companheiros de equipa.

Em prova continuaram os ciclistas portugueses da Lampre-Merida, Rui Costa e Nelson Oliveira, a alcançarem hoje o 23º e 68º tempo no contra-relógio, bem como André Cardoso da Garmin-Sharp, que finalizou o esforço individual na 97ª posição. Nas contas finais, este trio lusitano terminou na geral de Itzulia em 38º André Cardoso, 51º Rui Costa e 83º Nelson Oliveira.


Resultados Etapa 6
1 Tony Martin (Ger) Omega Pharma-Quick Step 0:38:33
2 Alberto Contador (Esp) Tinkoff-Saxo +0:07
3 Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step +0:15
4 Simon Spilak (Rus) Katusha +0:16
5 Jean-Christophe Peraud (Fra) AG2R La Mondiale +0:35
6 Tom Dumoulin (Ned) Giant-Shimano +0:38
7 Ion Izagirre (Esp) Movistar +0:41
8 Alejandro Valverde (Esp) Movistar +1:02
9 Tejay Van Garderen (USA) BMC +1:05
10 Thibaut Pinot (Fra) FDJ.fr +1:25
23 Rui Costa (Por) Lampre-Merida +2:09
68 Nelson Oliveira (Por) Lampre-Merida +4:10
97 André Cardoso (Por) Garmin-Sharp +5:50
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Montanha: Davide Villella (Ita) Cannondale
Metas Volantes: Omar Fraile (Esp) Caja Rural-Seguros RGA
Regularidade: Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step
Equipas: BMC
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Geral Final
1 Alberto Contador (Esp) Tinkoff-Saxo 21:09:11
2 Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step +0:49
3 Jean-Christophe Peraud (Fra) AG2R La Mondiale +1:04
4 Simon Spilak (Rus) Katusha +1:07
5 Alejandro Valverde (Esp) Movistar +1:07
6 Tejay Van Garderen (USA) BMC +1:56
7 Cadel Evans (Aus) BMC +1:56
8 Yuri Trofimov (Rus) Katusha +2:13
9 Thibaut Pinot (Fra) FDJ.fr +2:14
10 Wout Poels (Ned) Omega Pharma-Quick Step +2:26
38 André Cardoso (Por) Garmin-Sharp +26:15
51 Rui Costa (Por) Lampre-Merida +37:03
83 Nelson Oliveira (Por) Lampre-Merida +55:32

(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Itzulia: Ben Swift vence ao sprint 5ª etapa

Ben Swift (Foto Team Sky)

O britânico Ben Swift (Sky) venceu ao sprint a quinta etapa de #Itzulia frente a Alejandro Valverde (Movistar) e Michal Kwiatkowski (Omega Pharma-Quick Step). Uma vez mais, Alberto Contador resistiu e defendeu a liderança da Vuelta al País Vasco.

A jornada foi bastante movimentada desde o tiro de partida em Eibar para os 160,2 km até à chegada em Markina-Xemein. Só após a passagem da primeira de cinco montanhas do dia, a 2ª cat. de Muniketagane (km 25), um grupo numeroso de 16 corredores conseguiu ganhar alguma vantagem para formar a fuga, entre eles o português Nelson Oliveira (Lampre-Merida) pelo segundo dia consecutivo.

A fuga coroou na frente a 3ª cat. de Gontzagaigana (km 106,4) e de Santa Eufemia (km 118,9), enquanto no pelotão Movistar e Tinkoff-Saxo dividiam as despesas do comando do grande grupo. Na primeira passagem pela meta, a fuga contava com menos de 1 minuto de vantagem e Nelson Oliveira (Lampre-Merida) tentou a sorte lançando-se numa aventura em solitário, que se desvaneceu na aproximação à subida mais dura da jornada, sendo alcançado pelos companheiros de fuga.

Na escalada da 1ª cat. de Izua (km 134,5), um a um os fugitivos foram sendo absorvidos pelo pelotão, excepto Bauke Mollema (Belkin), Tim Wellens (Lotto-Belisol) e Bob Jungels (Trek). O trio coroou Izua na frente, mas os escassos 20 segundos foram completamente apagados no asfalto à entrada da derradeira dificuldade da etapa.

Em plena ascensão da 2ª cat. de Aiastia (km 151,8), no pequeno grupo que restava na frente mantinham-se os favoritos à geral e o ataque entre os principais candidatos surgiu pelos pedais de Valverde (Movistar), apenas respondido por Contador (Tinkoff-Saxo) e Wout Poels (Omega Pharma-Quick Step), o vencedor da etapa anterior. Os três coroaram Aiastia com 10 segundos de vantagem para os perseguidores, que tudo fizeram para deitar por terra as aspirações do primeiro e segundo classificados de Itzulia na busca pelo triunfo da etapa.

O trabalho da BMC e da Omega, por Tony Martin, resultou e a 2 km para o final o grupo de cerca de 20 corredores preparou-se para uma chegada ao sprint. Na luta pela linha de meta, Ben Swift foi o mais forte, alcançando o triunfo da etapa para a Sky.

Sem alterações nos primeiros lugares, a derradeira etapa de amanhã torna crucial o contra-relógio individual de 25,9 km em Markina-Xemein, para o qual Contador (Tinkoff-Saxo) parte com 12 segundos de vantagem sobre Valverde (Movistar), ambos a mostrar nos últimos dias que estão prontos para deixar tudo na estrada pela vitória final da 54ª Itzulia.

Quanto aos ciclistas lusos, a dupla da Tinkoff-Saxo, Bruno Pires e Sérgio Paulinho, deu por finalizado o trabalho de apoio ao líder Alberto Contador e não terminaram ambos a etapa de hoje. Já André Cardoso (Garmin-Sharp), Rui Costa e Nelson Oliveira (Lampre-Merida) cruzaram a meta a mais de 10 minutos do vencedor, partindo para a última etapa em 37º, 59º e 88º respectivamente.


Resultados Etapa 5
1 Ben Swift (GBr) Sky 3:56:56
2 Alejandro Valverde (Esp) Movistar m.t.
3 Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step m.t.
4 Tom Jelte Slagter (Ned) Garmin-Sharp m.t.
5 Damiano Cunego (Ita) Lampre-Merida m.t.
6 Cyril Gautier (Fra) Europcar m.t.
7 Jonathan Hivert (Fra) Belkin m.t.
8 Jean-Christophe Peraud (Fra) AG2R La Mondiale m.t.
9 Alberto Contador (Esp) Tinkoff-Saxo m.t.
10 Cadel Evans (Aus) BMC m.t.
53 Rui Costa (Por) Lampre-Merida +12:48
58 Nelson Oliveira (Por) Lampre-Merida +12:48
105 André Cardoso (Por) Garmin-Sharp +17:26
DNF Sérgio Paulinho (Por) Tinkoff-Saxo
DNF Bruno Pires (Por) Tinkoff-Saxo
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Montanha: Davide Villella (Ita) Cannondale
Metas Volantes: Omar Fraile (Esp) Caja Rural-Seguros RGA
Regularidade: Alejandro Valverde (Esp) Movistar
Equipas: BMC
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Geral
1 Alberto Contador (Esp) Tinkoff-Saxo 20:30:31
2 Alejandro Valverde (Esp) Movistar +0:12
3 Damiano Cunego (Ita) Lampre-Merida +0:36
4 Cadel Evans (Aus) BMC +0:36
5 Jean-Christophe Peraud (Fra) AG2R La Mondiale +0:36
6 Yuri Trofimov (Rus) Katusha +0:36
7 Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step +0:41
8 Mikel Landa (Esp) Astana +0:54
9 Wout Poels (Ned) Omega Pharma-Quick Step +0:55
10 Samuel Sánchez (Esp) BMC +0:56
37 André Cardoso (Por) Garmin-Sharp +20:32
59 Rui Costa (Por) Lampre-Merida +35:01
88 Nelson Oliveira (Por) Lampre-Merida +51:29

(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Itzulia: Wout Poels vence 4ª etapa em Arrate

Wout Poels (Foto @BiciGoga)

O holandês Wout Poels (Omega Pharma-Quick Step) conquistou a meta no Santuário de Arrate da etapa rainha de Itzulia. Entre ataques nos últimos quilómetros e defesa da camisola amarela, Alberto Contador (Tinkoff-Saxo) manteve a liderança da Vuelta al País Vasco.

A meta em Arrate esperava um desenlace vibrante ao final dos 151 km da quarta jornada. Ao cruzar o km 20, após o tiro de partida dado em Vitoria-Gasteiz, um quinteto rumou à aventura do dia composto pelo português Nelson Oliveira (Lampre-Merida), Luis León Sánchez (Caja Rural-Seguros RGA), Alexandr Dyachenko (Astana), Ben King (Garmin-Sharp) e Jean-Marc Marino (Cannondale).

Após a fuga coroar a primeira dificuldade do dia, a 2ª cat. de Asentzio (km 59), um ataque no pelotão nessa primeira subida protagonizado pelo campeão do mundo Rui Costa (Lampre-Merida), respondido por Contador (Tinkoff-Saxo) e Valverde (Movistar), levou ao ponto final da aventura do quinteto.

Na subida seguinte, a 2ª cat. de Karabieta (km 88), Jérémy Roy (FDJ.fr) tomou a iniciativa de formar uma nova fuga com vários corredores a seguirem na sua roda. O francês não conseguiu manter-se na frente, tal como a maioria dos aventureiros. Apenas Kristijan Durasek (Lampre-Merida), Tom Dumoulin (Giant-Shimano) e Ben Gastauer (AG2R La Mondiale) continuaram com a companhia mais tarde de Romain Sicard (Europcar) e José Herrada (Movistar), que foi o primeiro a não resistir à alta velocidade imposta pela Tinkoff de Contador no comando do pelotão na subida de 1ª cat. de Ixua (km 116,3).

O quarteto na frente voltou a resistir e na subida seguinte, a 2ª cat. de Aiastia (km 130,5), teve a companhia de Ion Izagirre (Movistar). Mas a vantagem de apenas 30 segundos depressa se desvaneceu na aproximação da última dificuldade da jornada. Com o alto a 2 km da meta, a decisiva escalada de 1ª cat. de Usartza (km 149) foi atacada logo ao início por vários corredores, mas sem êxito.

O grupo foi reduzindo metro a metro da subida e, a 4,7 km do final, Contador desferiu o primeiro ataque respondido por Valverde e mais alguns corredores. O líder da Tinkoff e de Itzulia voltou a desferir mais ataques, sempre com resposta do líder da Movistar e dos principais adversários. No entanto, no alto de Usartza coroou em primeiro Wout Poels (Omega), que na descida foi ganhando uma curta vantagem, suficiente para agarrar o triunfo na meta instalada no Santuário de Arrate. A somente 1 segundo, cruzou a linha a dupla espanhola Alejandro Valverde (Movistar) e Samuel Sánchez (BMC). O líder Contador defendeu a amarela, cruzando a meta a 3 segundos na 10ª posição.

Quanto aos heróis lusos presentes em Itzulia, após uma jornada de grande trabalho, os cinco terminaram na meta minutos depois do vencedor, partindo para a penúltima etapa de 160,2 km, entre Eibar e Markina-Xemein, em 25º André Cardoso (Garmin-Sharp), 59º Rui Costa e 95º Nelson Oliveira (Lampre-Merida), 114º Sérgio Paulinho e 134º Bruno Pires (Tinkoff-Saxo).


Resultados Etapa 4
1 Wout Poels (Ned) Omega Pharma-Quick Step 3:39:29
2 Alejandro Valverde (Esp) Movistar +0:01
3 Samuel Sánchez (Esp) BMC +0:01
4 Tom Jelte Slagter (Ned) Garmin-Sharp +0:03
5 Bauke Mollema (Ned) Belkin +0:03
6 Yuri Trofimov (Rus) Katusha +0:03
7 Cadel Evans (Aus) BMC +0:03
8 Mikel Landa (Esp) Astana +0:03
9 Damiano Cunego (Ita) Lampre-Merida +0:03
10 Alberto Contador (Esp) Tinkoff-Saxo +0:03
32 André Cardoso (Por) Garmin-Sharp +2:11
78 Sérgio Paulinho (Por) Tinkoff-Saxo +13:09
84 Rui Costa (Por) Lampre-Merida +18:01
87 Nelson Oliveira (Por) Lampre-Merida +18:01
116 Bruno Pires (Por) Tinkoff-Saxo +22:18
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Montanha: Davide Villella (Ita) Cannondale
Metas Volantes: Omar Fraile (Esp) Caja Rural-Seguros RGA
Regularidade: Alejandro Valverde (Esp) Movistar
Equipas: BMC
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Geral
1 Alberto Contador (Esp) Tinkoff-Saxo 16:33:35
2 Alejandro Valverde (Esp) Movistar +0:12
3 Damiano Cunego (Ita) Lampre-Merida +0:36
4 Cadel Evans (Aus) BMC +0:36
5 Jean-Christophe Peraud (Fra) AG2R La Mondiale +0:36
6 Yuri Trofimov (Rus) Katusha +0:36
7 Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma-Quick Step +0:41
8 Mikel Landa (Esp) Astana +0:54
9 Wout Poels (Ned) Omega Pharma-Quick Step +0:55
10 Samuel Sánchez (Esp) BMC +0:56
25 André Cardoso (Por) Garmin-Sharp +3:06
59 Rui Costa (Por) Lampre-Merida +22:13
94 Nelson Oliveira (Por) Lampre-Merida +38:41
112 Sérgio Paulinho (Por) Tinkoff-Saxo +45:18
132 Bruno Pires (Por) Tinkoff-Saxo +1:03:46

(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)