Amaro Antunes: “Nem sempre é possível ganhar, mas estive sempre na discussão das provas”

Amaro Antunes (LA Alumínios-Antarte) iniciou o ano com um brilhante 10º lugar na Volta ao Algarve. Entre os ‘tubarões’ do WorldTour, deixou bem clara a razão pela qual o apelidamos de pérola do pelotão nacional. Dono de um brilhante arranque de temporada, abriu o Ranking APCP 2016 na liderança da tabela Ciclista do Ano no mês de Fevereiro.

Como nos referiu anteriormente, Amaro Antunes preparou com precisão o início do ano para chegar às primeiras competições, em especial à Algarvia, num bom momento de forma. Os resultados não demoraram em chegar, batendo-se com os maiores rostos do pelotão WorldTour de igual para igual no Alto da Fóia (7º lugar) e no Alto do Malhão (4º lugar), nomes como o britânico Geraint Thomas (Team Sky), o espanhol Alberto Contador (Tinkoff) ou o italiano Fabio Aru (Astana).

A senda de bons resultados perdurou no decorrer da temporada, vencendo em seguida a camisola da montanha na Volta ao Alentejo e somando um total de 18 Top 10 em provas nacionais, entre classificações gerais e discussão de etapas, não esquecendo o 14º lugar obtido na Vuelta a Madrid, ganha pelo espanhol Juan José Lobato (Movistar Team).

Em entrevista ao Cycling & Thoughts, Amaro Antunes reviveu a temporada e os momentos marcantes do último ano da equipa LA Alumínios-Antarte no pelotão nacional.

Amaro Antunes conquistou o título de rei da montanha
na Volta ao Alentejo (foto Helena Dias)

No final de Fevereiro, falámos sobre o grande início de temporada que protagonizaste na Volta ao Algarve. Um 10º lugar entre os tubarões do WorldTour, ser o melhor corredor das equipas nacionais e o melhor português nesta competição é um feito notável e que te marca enquanto ciclista?

"Sim, sem dúvida alguma. Foi uma prova junto de todas as "vedetas" do ciclismo internacional, que me deixou um grande sorriso no rosto por poder estar junto dos melhores e trouxe-me mais confiança para o futuro."

Seguiu-se mais uma marcante performance na Volta ao Alentejo, onde conquistas a camisola da montanha, apesar da queda que te debilitou e tiveste de fazer frente nas últimas etapas.

"Agora que já terminou, posso dizer que foi uma Volta ao Alentejo de muito sofrimento, pois após ter sofrido a queda fiquei com a perna esquerda lesionada, o que fez com que se tornasse ainda mais complicado segurar aquela liderança. No entanto, com a ajuda dos meus colegas, aos quais agradeço bastante, foi possível trazer para casa a camisola da montanha."

No total, alcançaste 18 Top 10 nas principais provas nacionais. Pelo segundo ano consecutivo acabaste em 4º no Campeonato Nacional de Fundo e conseguiste a tua melhor classificação na geral da Volta a Portugal com o 6º lugar. Sentes que essa única vitória da montanha na ‘Alentejana’ acaba por não espelhar a brilhante temporada que protagonizaste?

"Claro que não, de um modo geral fico satisfeito com a época que fiz. Nem sempre é possível ganhar, mas estive sempre na discussão das provas mais indicadas para mim. Em relação ao Campeonato Nacional e à Volta a Portugal, eram duas provas muito importantes para mim e para a equipa, deixei tudo na estrada e isso é o melhor sentimento que posso ter face a uma competição. Quanto ao resultado foi bom, mas poderia ter sido melhor."

Na única competição que realizaste no estrangeiro também não deixaste fugir os primeiros lugares. Foi difícil terminar em 14º a Vuelta a Madrid?

"Um lugar entre os primeiros postos nunca é fácil e junto de algumas das melhores equipas do mundo muito menos. Mas fiquei satisfeito com o resultado."

Logo após a Volta a Portugal, a equipa continuou a competir sabendo que a estrutura não continuava em 2017. Como reagiu o grupo a esta situação?

"É sempre complicado quando recebemos a notícia do término de um projecto de largos anos, não só perdemos nós como também perde o ciclismo nacional."

Ao Eurosport Portugal, Joxean Matxin (‘talent scout’ – caçador de talentos da Etixx-QuickStep) referiu que tu e o Joni Brandão estão prontos para o WorldTour. No teu caso, o que falta para subir esse degrau?

"De facto, fico bastante satisfeito por ouvir tal coisa. Bem, creio que o que falta é mesmo que chegue a oportunidade para que possa provar isso mesmo."

Já tens alguma definição relativamente à equipa que irás representar em 2017?

"Para já, ainda não consigo dar essa resposta."

Principais resultados de Amaro Antunes em 2016:
*Montanha Volta ao Alentejo
Campeonato Nacional de Fundo
CG GP Abimota
Et5 Volta ao Algarve
CG Volta a Portugal
Et1 GP Jornal de Notícias
Et4 GP Jornal de Notícias
Et6 Volta a Portugal
CG GP Internacional Beiras e Serra da Estrela
Et2 Volta ao Algarve
Et3 GP Internacional Beiras e Serra da Estrela
Et4 Volta a Portugal
CG GP Jornal de Notícias
Et5 Volta a Portugal
Et1 Volta ao Alentejo
Et3 GP Jornal de Notícias
10º CG Volta ao Algarve
10º Et3 Volta à Bairrada
10º Et10 Volta a Portugal
14º CG Vuelta a Madrid (Espanha)


Entre dias de chuva e de sol, Amaro Antunes fez frente a uma queda
e conquistou a montanha da 'Alentejana' (foto Helena Dias)
Amaro Antunes no Circuito de S. Bernardo,
em Alcobaça (foto Helena Dias)
Amaro Antunes na pista do Circuito da Malveira
(foto Helena Dias)

1 comentário:

  1. Anónimo8/9/16

    Ao seguir o percurso dos ciclistas o esforço por eles feito ao longo das temporadas que não é fácil espero que os seus sonhos se concretizem conseguindo o lugar que ambicionam e pelo qual lutam.

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