Et6 Volta a Portugal: bis de Veloso e amarela de Vinhas em dia de ataque de Brandão

Gustavo Veloso (W52-FC Porto) conquistou a etapa rainha da 78ª Volta a Portugal Santander Totta e o companheiro Rui Vinhas manteve a camisola amarela em dia da impiedosa Torre. Mas o herói e mais combativo do dia foi o rival Joni Brandão (Efapel), protagonista de um ataque em solitário a 86 km para a meta, somente alcançado nos 2 km finais.
Joni Brandão luta desde o primeiro dia pela conquista da Volta
e na etapa rainha foi o herói mais combativo (foto Helena Dias)

Em declarações à estação pública de televisão RTP, Gustavo Veloso afirmou: “Nós fizemos a aposta de manter a equipa junta e esperei o máximo possível para arrancar, para prejudicar o menos possível o Vinhas. Queria tentar ganhar a etapa, se esperasse muito mais podia passar-me alguém mais rápido.” Sobre o ataque de Joni Brandão, acrescentou: “Nós tínhamos cinco corredores, sabíamos que faltavam ainda muitos quilómetros para a meta e que um ciclista sozinho é muito complicado chegar à meta. A nossa táctica foi manter-nos unidos, o Toni e o Ricardo Mestre, tal como o resto da equipa, fizeram uma grandíssima etapa, e na parte final o Raúl acabou de controlar com um ritmo muito forte para que ninguém atacasse. Fomos para a vitória da etapa, porque sabe sempre bem ter uma vitória.”

O camisola amarela Rui Vinhas terminou a dura jornada exausto, sentando-se no asfalto logo após cruzar a linha. Um dia em que nas suas palavras foi “Uma etapa bastante dura, subimos a Torre duas vezes. O Joni Brandão esteve muito bem ao atacar de longe e deu-nos bastante trabalho. O António e o Ricardo estiveram muito bem, aqui na parte final tiveram de acelerar bastante, porque o Joni vinha a andar muito bem. Quero agradecer a toda a equipa que esteve do meu lado, tentou defender-me ao máximo e eu acabei por conseguir chegar aqui levando um corte para o Gustavo, mas isso é o que menos interessa. Ele é o líder e se eu conseguir chegar de amarelo a Lisboa já é muito bom. Só tenho de agradecer aos meus colegas pela excelente etapa que fizeram.”

A seguir ao dia de descanso, o pelotão enfrentou a etapa rainha da 78ª Volta a Portugal Santander Totta. A sexta etapa ligou Belmonte à Guarda em 173,7 km, com duas passagens pela impiedosa Torre (cat. especial km 44,7 e km 104,3), a 1950m de altitude na Serra da Estrela, tendo posteriormente mais três prémios de montanha, o último dos quais na meta (3ª cat. km 148,5, km 164,4 e km 173,7).

No pelotão de 123 corredores já não se encontravam os portugueses Hugo Sancho (LA Alumínios-Antarte) e Filipe Cardoso (Efapel), primeiras baixas nas equipas lusas. O primeiro foi expulso no final da etapa transacta, decisão do colégio de comissários por se ter agarrado a uma viatura numa das subidas. O segundo viu-se impossibilitado de prosseguir em prova, fruto das quedas sofridas.

Os primeiros quilómetros foram muito atacados por diversos corredores a tentarem sair do pelotão, conseguindo um grupo de oito uma curta vantagem: Nuno Meireles (LA Alumínios-Antarte), Eloy Teruel (Louletano-Hospital de Loulé), Adam Phelan (Drapac), Francesco Gavazzi (Androni Giocattoli-Sidermec), Garikoitz Bravo (Euskadi-Murias), Yoann Barbas (Armée de Terre), Yeison Chaparro e Ivan Bothia (Boyacá Raza de Campeones).

Gavazzi obteve a máxima bonificação nas duas primeiras metas volantes do dia, em Caria (km 5,7) e na Covilhã (km 25,4). O grupo perdeu elementos e ganhou outros rostos aos primeiros quilómetros da primeira ascensão de 19,2 km à Torre, pelpa vertente Covilhã/Penhas da Saúde/Torre. A Garikoitz Bravo e Ivan Bothia juntaram-se David Rodrigues (Rádio Popular-Boavista), Bruno Silva (LA Alumínios-Antarte), Robinson Chalapud (Inteja-MMR Dominican Cycling) e o líder da montanha Wilson Ramiro Diaz (Funvic-Soul Cycles-Carrefour). No pelotão, a rival Efapel e a líder W52-FC Porto repartiram o comando do pelotão.

Entretanto, a lusa Sporting CP-Tavira viu abandonar o seu primeiro elemento, o espanhol David de la Fuente, enquanto na frente ganhou vantagem o quarteto composto pelos lusos Bruno Silva e David Rodrigues e pelos colombianos Diaz e Chalapud. O rei da montanha de 2015 Bruno Silva coroou ao alto, seguido do líder da montanha em 2016 Wilson Diaz.

Após a descida, na última meta volante do dia, que marcava também o início de nova ascensão à Torre, Bruno Silva passou em primeiro em Seia (km 76,9), chegando ao quarteto a dupla que tinha perdido o contacto com a fuga, Garikoitz Bravo e Chalapud. O pelotão comandado pela equipa do líder Rui Vinhas manteve a distância abaixo dos 2 minutos.

Em nova escalada à Torre de 27,4 km, pela vertente Seia/Sabugueiro/Torre, a Efapel assumiu a frente do pelotão reduzido a 40 elementos. O ritmo forte fez um dos favoritos à geral, o italiano Rinaldo Nocentini (Sporting CP-Tavira), perder o contacto com o grupo do camisola amarela e a fuga ser alcançada antes de chegar ao alto.

Depois do trabalho da Efapel, Joni Brandão respondeu ao trabalho dos companheiros com um ataque a 86 km para o final. O líder Rui Vinhas manteve a seu lado cinco companheiros no grupo cada vez mais reduzido em perseguição, incluindo Gustavo Veloso e onde também pedalavam João Benta (Louletano-Hospital de Loulé), Alejandro Marque e Amaro Antunes (LA Alumínios-Antarte), Rui Sousa e Daniel Silva (Rádio Popular-Boavista), entre os 22 corredores que compunham o grupo.

Joni Brandão coroou a Torre com 1m28s de vantagem para o grupo do líder da Volta, que continuou forte com cinco companheiros a seu ao lado. Um pouco atrás pedalava um grupo com Benta e Marque, que perdeu o contacto nos momentos finais da subida.

Com 50 km para o final, Brandão manteve-se a pouco mais de 1 minuto do grupo do camisola amarela composto por 11 corredores, nomeadamente Rui Sousa, Frederico Figueiredo, Daniel Silva, Amaro Antunes, Henrique Casimiro (Efapel), Vicente de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) e cinco elementos da W52-FC Porto –Gustavo Veloso, Raúl Alarcón, Ricardo Mestre, António Carvalho e Rui Vinhas.

Joni Brandão coroou a antepenúltima subida do dia, em Fernão Joanes, mantendo 1m27s de vantagem, que viu encurtar para 18s ao coroar a penúltima subida do dia, na Guarda, a 10 km da chegada. Um a um, os companheiros de Rui Vinhas trabalharam para apagar no asfalto a distância para Joni Brandão, sendo alcançado o herói fugitivo da etapa rainha já dentro dos 2 km, em plena subida final.

Nos derradeiros 500m, numa dura rampa em pavé, Gustavo Veloso tomou a frente do grupo ganhando espaço suficiente para erguer os braços pela segunda vez nesta edição, a sua sexta vitória em etapas na Volta a Portugal.

Seguiram-se na meta Daniel Silva, que subiu a 3º da geral, Raúl Alarcón, Vicente de Mateos e Rui Vinhas, que manteve a camisola amarela, agora a 2m25s do companheiro Veloso. Joni Brandão cruzou a meta em 7º, descendo para 4º da geral e recebendo o prémio da combatividade deste dia de etapa rainha.

Entre os  contenders da Volta, destaque para Amaro Antunes e Rui Sousa, 6º e 9º na meta respectivamente. O grupo de Alejandro Marque cruzou a linha a mais de 6 minutos, João Benta a 13 minutos e Nocentini a mais de 23 minutos.

Nas contas das camisolas, Rui Vinhas manteve a amarela, o companheiro Gustavo Veloso o comando da classificação por pontos e do ‘Kombinado’. O colombiano Wilson Ramiro Diaz manteve a liderança da montanha e o russo Alexander Vdovin (Lokosphinx) subiu a primeiro da juventude. A W52-FC Porto manteve a soberania por equipas.

Amanhã, a sétima etapa irá ligar Figueira de Castelo Rodrigo a Castelo Branco em 182 km. Sem prémios de montanha, espera-se uma chegada ao sprint na meta instalada na Avenida Nuno Álvares, onde o pelotão irá passar uma primeira vez a 17,1 km do final.

Gustavo Veloso triunfa na etapa rainha da
78ª Volta a Portugal Santander Totta (foto Helena Dias)
Rui Vinhas defende dia-a-dia a mais desejada camisola amarela
(foto Helena Dias)

Resultados Et6
1º Gustavo Veloso (Esp) W52-FC Porto 4:55:49
2º Daniel Silva (Por) Rádio Popular-Boavista +5”
3º Raúl Alarcón (Esp) W52-FC Porto +7”
4º Vicente de Mateos (Esp) Louletano-Hospital de Loulé +10”
5º Rui Vinhas (Por) W52-FC Porto +10”
6º Amaro Antunes (Por) LA Alumínios-Antarte +21”
7º Joni Brandão (Por) Efapel +21”
8º Henrique Casimiro (Por) Efapel +26”
9º Rui Sousa (Por) Rádio Popular-Boavista +32”
10º Frederico Figueiredo (Por) Rádio Popular-Boavista +48”

C. Geral
1º Rui Vinhas (Por) W52-FC Porto 26:36:55
2º Gustavo Veloso (Esp) W52-FC Porto +2:25”
3º Daniel Silva (Por) Rádio Popular-Boavista +2:53”
4º Joni Brandão (Por) Efapel +3:13”
5º Raúl Alarcón (Esp) W52-FC Porto +3:38”
6º Vicente de Mateos (Esp) Louletano-Hospital de Loulé +3:46”
7º Amaro Antunes (Por) LA Alumínios-Antarte +3:55”
8º Henrique Casimiro (Por) Efapel +4:05”
9º Frederico Figueiredo (Por) Rádio Popular-Boavista +4:56”
10º Rui Sousa (Por) Rádio Popular-Boavista +5:35”
13º Alejandro Marque (Esp) LA Alumínios-Antarte +11:17”
16º João Benta (Por) Louletano-Hospital de Loulé +16:33”
21º Rinaldo Nocentini (Ita) Sporting CP-Tavira +27:20”
Resultados completos aqui
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2 comentários:

  1. Anónimo3/8/16

    Mais uma agradeço o belíssimo trabalho e deixar um lamento em relação à não cobertura da etapa na íntegra por parte da RTP bem como não terem entrevistador Joni Brandão. Na verdade a estação pública de televisão paga por todos nós tem muitas lacunas.

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  2. Anónimo4/8/16

    Boa tarde,

    Bom trabalho neste blog.

    Uma coisa que não entendo é a palavra pedaLing apenas com um "L", só nos EUA é que se usa a palavra com um L, o certo a meu ver seria Pedalling.

    Cpts

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