Eduard Prades: «Estava com um pé fora do ciclismo quando me deram esta oportunidade»

Voltamos a falar com Eduard Prades (OFM-Quinta da Lixa), ciclista catalão que em Maio manteve a liderança do Ranking Ciclista do Ano, promovido pela APCP – Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais.
 
(Foto Facebook Oficial Eduard Prades)

Continuas com as boas sensações do início da temporada?
Não, quem me dera, mas o corpo pedia descanso. Sendo assim, fiz umas semanas de pouca intensidade e uma semana sem bicicleta, com a intenção de recuperar essas sensações com vista à Volta a Portugal.

Uma das corridas disputadas em Maio foi a 1ª prova da Taça de Portugal. Que ambições tem a OFM-Quinta da Lixa para a Taça este ano?
Tentamos sempre fazer o melhor possível em cada corrida, mas agora o objectivo é a Volta a Portugal, assim servem-nos para manter o ritmo de competição e trabalhar em equipa. Ainda assim, se temos condições para ganhar, não as descartaremos.

De momento, a próxima batalha é o GP Abimota. Quais os objectivos da equipa?
O meu objectivo é ir ganhando forma e horas de competição, embora não descarte nada se tiver boas sensações. Afinal, é apenas uma etapa em linha, teremos que ver quem está melhor e apostar por ele.

Desde que chegaste à OFM em 2013, quais os momentos que recordas com maior significado em corrida?
Em 2013 aprendi muito sobre como fazer um bom trabalho em equipa. Por exemplo, no Agostinho comecei a trabalhar sendo-me devolvido na última etapa, conseguindo a etapa e a geral. Também a última etapa da Volta a Portugal, onde sobressaiu o trabalho de todo o ano e desfrutámos a etapa de consagração pelo grande feito de Alejandro Marque e Gustavo Veloso.

Na verdade, para quem conhece o teu trabalho denota um crescimento constante e uma regularidade muito positiva de bons resultados. A oportunidade de correr em Portugal foi uma bênção?
Sim, já estava com um pé fora do ciclismo quando me deram esta oportunidade. Aqui pude progredir como ciclista e evoluir como pessoa, o que me levou a conseguir bons resultados nas corridas importantes.

Ser o líder do Ranking APCP por 3 meses consecutivos é a cereja no topo do bolo?
Sim, é uma honra continuar na frente desta classificação e, já que estamos, a ver se consigo manter até ao final da temporada, tentar não custa! 



-------------------------
Versão em Castelhano
-------------------------

Eduard Prades: «Estaba con un pie fuera del ciclismo cuando se me dio esta oportunidad»

Volvemos a hablar con Eduard Prades (OFM-Quinta da Lixa), el ciclista catalán quien en Mayo mantuvo el liderato del Ranking Ciclista del Año, promocionado por la APCP – Asociación Portuguesa de Ciclistas Profesionales.

¿Sigues con las buenas sensaciones del inicio de temporada?
No, ya quisiera yo, pero el cuerpo me pedía descanso. Así que hice unas semanas de poca intensidad y una semana sin bici, con la intención de recuperar esas sensaciones de cara a la Volta a Portugal.

Una de las carreras disputadas en Mayo fue la 1ª prueba de la Taça de Portugal. ¿Qué ambiciones tiene el OFM-Quinta da Lixa para la Taça este año?
Siempre intentamos hacer lo mejor posible en cada carrera, pero ahora el objetivo es la Volta a Portugal, así nos sirven para mantener ritmo de competición y trabajar como equipo. Aun así, si tenemos condiciones para ganar no las descartaremos.

De momento, la próxima batalla es el GP Abimota. ¿El equipo va por ello con qué objetivo?
Mi objetivo es ir cogiendo forma y horas de competición, aunque si tengo buenas sensaciones no descarto nada. Al final es una sola etapa en línea, así que tendremos que ver quien está mejor y apostar por él.

Desde que llegaste al OFM en 2013, ¿qué momentos recuerdas con más significado en carrera?
En 2013 aprendí mucho sobre cómo hacer un buen trabajo en equipo. Por ejemplo, en Agostinho empecé trabajando y se me devolvió en la última etapa, pudiendo conseguir la etapa y la general. También la última etapa de la Volta a Portugal, donde salió el trabajo de todo el año y disfrutamos la etapa de consagración por la gran hazaña de Alejandro Marque y Gustavo Veloso.

En verdad, para quién conoce tu labor denota un crecimiento constante y una regularidad muy positiva de buenos resultados. ¿La oportunidad de correr en Portugal ha sido una bendición?
Sí, ya estaba con un pie fuera del ciclismo cuando se me dio esta oportunidad. Aquí he podido progresar como ciclista y evolucionar como persona, que me ha llevado a conseguir buenos resultados en las carreras importantes.

Ser el líder del Ranking APCP por 3 meses consecutivos, ¿es la guinda del pastel?
Sí, es un honor seguir al frente de esta clasificación, y ya que estamos a ver si puedo mantenerlo al final de temporada, ¡por pedir que no sea!


______
Entrevista realizada para APCP
Ranking APCP completo aqui
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Luís Fernandes: «Sinto que estou a evoluir como atleta e como homem»

Desde o início da temporada, Luís Fernandes (OFM-Quinta da Lixa) mantém a consistente liderança do Ranking Equipier do Ano, promovido pela APCP – Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais. Em Maio consolidou o primeiro lugar com 29 pontos, estando a 10 de Diogo Nunes (Banco BIC-Carmim) e a 13 de César Fonte (Rádio Popular-Boavista), que ocupam a segunda e terceira posições.
 
Luís Fernandes, 2º no Challenge de Loulé (Foto @UCMaia)

Para Luís Fernandes, esta liderança tem servido de incentivo extra em competição, somada à «confiança e motivação que a equipa me tem dado para continuar a trabalhar. Os meus companheiros confiam em mim como eu confio neles, sabendo que se fizer bem o meu trabalho eles podem chegar à vitória».

Precisamente a 25 de Maio, o corredor da OFM-Quinta da Lixa viu a sua dedicação e empenho recompensados pela equipa ao ser a aposta do director desportivo José Barros para disputar a vitória do Challenge de Loulé, correspondendo da melhor forma ao terminar no pódio: «O director e os meus companheiros quiseram dar-me uma oportunidade, sabendo que o circuito era ao meu jeito. O 2º lugar que alcancei é de toda a equipa!».

Pelo terceiro ano a vestir a camisola da equipa de Sobrado, Luís Fernandes pedalou o primeiro ano ainda como amador, acompanhando o salto da formação ao escalão continental em 2013. «Cada ano que passa, sinto que estou a evoluir como atleta e como homem. E ensinaram-me uma coisa aqui… primeiro trabalhas para depois trabalharem para ti».

Luís Fernandes prepara já as próximas competições de Junho, que serão o «GP Abimota, as provas da Taça de Portugal, nomeadamente Oliveira de Azeméis, Memorial Bruno Neves e Albergaria-a-Velha, e também os Campeonatos Nacionais no dia 29. Espero poder discutir o Memorial Bruno Neves, é uma corrida um pouco ao meu jeito e sei que vou ter a minha oportunidade».
  

______
Entrevista realizada para APCP
Ranking APCP completo aqui
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Eduard Prades segura liderança do Ranking APCP

A competição de Maio em nada abalou a liderança de Eduard Prades (OFM-Quinta da Lixa) do Ranking Ciclista do Ano, promovido pela APCP – Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais.

(Foto Facebook Oficial Eduard Prades)

Mantendo os 315 pontos, o catalão Eduard Prades (OFM-Quinta da Lixa) lidera pelo terceiro mês consecutivo o Ranking Ciclista do Ano. A sprintar no seu encalço encontra-se o segundo classificado da Taça de Portugal, o luso Rafael Silva (Efapel-Glassdrive) que sobe à 2ª posição somente a 24 pontos de distância, trocando de lugar com Rui Costa (Lampre-Merida). O campeão do mundo desce à 3ª posição a 70 pontos, dado a sua natural não participação em provas do calendário nacional. Na juventude, Luís Gomes (Maia-Bicicletas Andrade) é o novo rosto a emergir como primeiro sub-23 com 19 pontos na 26ª posição.

A liderança do Ranking Equipa do Ano também não sofre alterações. A OFM-Quinta da Lixa mantém a soberania conquistada desde o início da temporada, agora com 763 pontos. A encurtar distância mês após mês está a Efapel-Glassdrive, mantendo a 2ª posição somente a 36 pontos da equipa de Sobrado. Igualmente permanecendo na 3ª posição, a LA Alumínios-Antarte encontra-se a uma longa distância de 400 pontos.

A consolidar a liderança do Ranking Equipier do Ano continua Luís Fernandes (OFM-Quinta da Lixa) com 29 pontos, mantendo assim a confiança dos companheiros relativamente ao trabalho realizado em prol da equipa. Sem alterações nos lugares seguintes, Diogo Nunes (Banco BIC-Carmim) permanece na 2ª posição a 10 pontos e César Fonte (Rádio Popular-Boavista) na 3ª posição a 13 pontos.


CICLISTA DO ANO – 28 Maio 2014
1 Eduard Prades (Esp) OFM-Quinta da Lixa 315
2 Rafael Silva (Por) Efapel-Glassdrive 291
3 Rui Costa (Por) Lampre-Merida 245
4 Edgar Pinto (Por) LA Alumínios-Antarte 196
5 Daniel Mestre (Por) Banco BIC-Carmim 165
6 Filipe Cardoso (Por) Efapel-Glassdrive 155
7 Samuel Caldeira (Por) OFM-Quinta da Lixa 135
8 Sérgio Sousa (Por) Efapel-Glassdrive 130
9 Ricardo Vilela (Por) OFM-Quinta da Lixa 118
10 Nuno Ribeiro (Por) OFM-Quinta da Lixa 105
11 Vicente De Mateos (Esp) Louletano-Dunas Douradas 93
12 Diego Rubio (Esp) Efapel-Glassdrive 76
13 Daniel Freitas (Por) LA Alumínios-Antarte 75
14 Mário Costa (Por) OFM-Quinta da Lixa 70
15 Hugo Sabido (Por) LA Alumínios-Antarte 65
16 César Fonte (Por) Rádio Popular-Boavista 62
17 Manuel Cardoso (Por) Banco BIC-Carmim 55
18 Frederico Figueiredo (Por) Rádio Popular-Boavista 49
19 Amaro Antunes (Por) Banco BIC-Carmim 46
20 Joni Brandão (Por) Efapel-Glassdrive 45
21 Garikoitz Bravo (Esp) Efapel-Glassdrive 36
22 Francisco Moreno (Esp) Louletano-Dunas Douradas 35
23 Tiago Machado (Por) NetApp-Endura 33
24 Arkaitz Durán (Esp) OFM-Quinta da Lixa 31
25 Delio Fernández (Esp) OFM-Quinta da Lixa 21
26 Luís Gomes (Por) Maia-Bicicletas Andrade 19
27 Pedro Paulinho (Por) LA Alumínios-Antarte 15
28 Luís Fernandes (Por) OFM-Quinta da Lixa 10
29 Jorge Montenegro (Arg) Louletano-Dunas Douradas 8
30 Ricardo Vale Ferreira (Por) Rádio Popular-Boavista 7
31 Rúben Guerreiro (Por) Liberty Seguros/Feira/KTM 7
32 Luís Afonso (Por) LA Alumínios-Antarte 7
33 António Carvalho (Por) LA Alumínios-Antarte 7
34 Victor De La Parte (Esp) Efapel-Glassdrive 6
35 Hugo Sancho (Por) LA Alumínios-Antarte 5
36 Rafael Reis (Por) Banco BIC-Carmim 3
37 José Mendes (Por) NetApp-Endura 2
38 Hugo Vaz (Por) Anicolor 1
39 Carlos Ribeiro (Por) Anicolor 1
40 André Mourato (Por) LA Alumínios-Antarte 1

EQUIPA DO ANO – 28 Maio 2014
1 OFM-Quinta da Lixa 763
2 Efapel-Glassdrive 727
3 LA Alumínios-Antarte 363
4 Banco BIC-Carmim 270
5 Louletano-Dunas Douradas 136
6 Rádio Popular-Boavista 118
7 Maia-Bicicletas Andrade 19
8 Liberty Seguros/Feira/KTM 7
9 Anicolor 2

EQUIPIER DO ANO – 28 Maio 2014
1 Luís Fernandes (Por) OFM-Quinta da Lixa 29
2 Diogo Nunes (Por) Banco BIC-Carmim 19
3 César Fonte (Por) Rádio Popular-Boavista 16
4 Hugo Sancho (Por) LA Alumínios-Antarte 7
5 Victor De La Parte (Esp) Efapel-Glassdrive 6
5 Sérgio Sousa (Por) Efapel-Glassdrive 6
7 Luís Afonso (Por) LA Alumínios-Antarte 5
7 João Pereira (Por) Banco BIC-Carmim 5
7 Ricardo Mestre (Por) Efapel-Glassdrive 5
10 André Mourato (Por) LA Alumínios-Antarte 4
11 Mário Costa (Por) OFM-Quinta da Lixa 3
11 Walter Pereira (Por) Banco BIC-Carmim 3
11 Raúl Alarcón (Esp) Louletano-Dunas Douradas 3
11 Célio Sousa (Por) Rádio Popular-Boavista 3
15 Rui Vinhas (Por) Louletano-Dunas Douradas 2
15 Frederico Figueiredo (Por) Rádio Popular-Boavista 2
15 Daniel Freitas (Por) LA Alumínios-Antarte 2
18 Bruno Sancho (Por) Banco BIC-Carmim 1
18 Bruno Silva (Por) Efapel-Glassdrive 1
18 Carlos Carneiro (Por) Rádio Popular-Boavista 1
18 Hugo Sabido (Por) LA Alumínios-Antarte 1
18 Márcio Barbosa (Por) LA Alumínios-Antarte 1
18 Victor Valinho (Por) Louletano-Dunas Douradas 1
18 Pedro Paulinho (Por) LA Alumínios-Antarte 1
18 Vergílio Santos (Por) Rádio Popular-Boavista 1
18 Ricardo Vale Ferreira (Por) Rádio Popular-Boavista 1
18 Sandro Pinto (Por) Efapel-Glassdrive 1
18 Rafael Reis (Por) Banco BIC-Carmim 1
18 Edgar Pinto (Por) LA Alumínios-Antarte 1
18 João Matias (Por) OFM-Quinta da Lixa 1

______
Texto realizado para APCP
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Giro d’Itália: 2ª semana da Corsa Rosa

A 2ª semana do 97º Giro d’Itália foi marcada pela mudança de líder, emoção q.b. e vitórias surpreendentes. Tudo numa semana em que se recordou Marco Pantani nas chegadas a Oropa e Montecampione, homenageando ‘Il Pirata’ 10 anos após a sua morte.
 
Rigoberto Urán (Foto www.gazzetta.it/Giroditalia/2014/it)

Revigorado após o 2º dia de descanso, o pelotão enfrentou na 10ª etapa um percurso não muito longo de 173 km entre Modena a Salsomaggiore Terme. Longe da dureza esperada mais para o final da semana, a sempre existente fuga fez-se pela dupla italiana Fedi (NRI) e Bandiera (AND), que viu o sonho terminar a 9 km da meta, onde Nacer Bouhanni (FDJ) conquistou a sua terceira vitória no Giro. Um poderoso sprint frente a Nizzolo (TFR) e o antigo maglia rosa Matthews (OGE), que abandonaria a prova antes de nascer o novo dia.

Cadel Evans (BMC) seguiu seguro de rosa para a 11ª etapa, já sem um dos companheiros no pelotão. Yannick Eljssen sofrera uma queda no dia anterior, reduzindo a armada da BMC a 8 unidades. Com tranquilidade percorreram os longos 249 km de Collecchio a Savona, onde a aventura de 14 corredores viu terminar a fuga antes do final da última dificuldade em Naso Di Gatto, momento eleito por Michael Rogers (TCS) para ganhar vantagem na descida, ainda a 24 km do final. O australiano da Tinkoff-Saxo chegaria à vitória em solitário na meta, triunfo sentido como uma lufada de ar fresco após o período de afastamento, desde o outono passado por controlar positivo a clembuterol, sendo absolvido pela UCI. Com 10s de vantagem triunfou sobre o pelotão, no qual Simon Geschke (GIA) fez 2º e Enrico Battaglin (BAR) 3º, já cheirando uma possível vitória.

Mas as expectativas concentravam-se na 12ª etapa. O tão aguardado contra-relógio individual levou os corredores a percorrerem 41,9 km de estrada perigosamente molhada entre Barbaresco e Barolo. O clima mostrava-se impiedoso com o Giro e todo o cuidado era pouco para os favoritos à geral não perderem tempo ou até conseguirem algum ganho relativamente ao líder Cadel Evans (BMC). O esforço individual ditou a perda da liderança, mesmo Evans fazendo o 3º melhor tempo… O colombiano Rigoberto Urán (OPQ) voou para a vitória da etapa em 57m34s, fazendo história no Giro. Pela primeira vez, um colombiano envergava a maglia rosa e o momento jamais será esquecido. Histórica poderia ter sido igualmente a terceira vitória de Diego Ulissi (LAM), mas o voo de Urán não permitiu, acabando o italiano por realizar o 2º melhor tempo a 1m17s, com Evans em 3º a 1m34s e descendo a 2º da geral. Este dia ficou marcado pela queda de Tobias Ludvigsson (GIA), levando-o a abandonar o Giro à imagem de Chris Anker Sorensen (TCS), que apesar de terminar a etapa do dia anterior de forma inacreditável massacrado pela queda, por conselho médico não partiu para o contra-relógio.

Em novo dono colombiano, a maglia rosa mostrava-se ao rubro, mostrando ser totalmente imprevisível o desfecho da 97ª edição. Antes da alta montanha surgir, a 13ª etapa esperava uma chegada ao sprint. O pelotão pedalou tranquilo desde Fossano até perto do final dos 157 km a marcar a linha de meta em Rivarolo Canavese. Tão tranquilo, que parece ter esquecido o sexteto em fuga. Subestimado o sonho da fuga, o final foi pedalado a todo o gás pelos comboios dos máximos favoritos ao sprint… mas era tarde demais e do sexteto restou um trio, onde o italiano Marco Canola (BAR) surpreendeu oferecendo a sua primeira vitória no Giro à ‘pequena’ Bardiani-CSF entre as grandes WorldTour, deixando em 2º Jackson Rodríguez (AND) e em 3º Angelo Tulik (EUC).

Não se pense que a Bardiani ficaria por aqui. Reforçada na sua auto-confiança, a armada italiana viria a conquistar a 14ª etapa. No primeiro desafio de alta montanha, o pelotão partiu de Agliè e atravessou 164 km montanhosos até à chegada de 1ª cat. em Oropa, recordando a escalada mítica de Pantani em 1999. Saltando para a actualidade, a dureza da jornada começou a sentir-se na 3ª cat. de La Serra (km 30,5), seguindo-se a 1ª cat. de Alpe Noveis (km 95), passando pela 2ª cat. de Bielmonte (km 122,4) e, por último, a escalada até à meta onde o Santuário de Oropa –Património da Unesco– servia de cenário idílico ao possível ataque à liderança de Urán (OPQ). A fuga tentada por 21 corredores parecia mostrar-se infrutífera, mas seria dela a vitória da jornada. Nem os ataques vindos do pelotão por Pierre Rolland (EUC), Ryder Hesjedal (GRS), entre outros, conseguiram enfraquecer quem seguia na frente. Contudo, testavam a força dos favoritos e nesse teste a AG2R foi exímia com Alexis Vuillermoz e Domenico Pozzovivo a dizimar o grupo já restrito. Pozzovivo ainda tentou fazer a diferença a 3,7 km do final, mas o ataque não produziu consequências de maior, cedendo Urán (OPQ) uns segundos na geral e Evans (BMC) aguentando ao seu ritmo o 2º lugar na geral. Apesar da animação entre este grupo, a vitória na meta caberia a um dos resistentes em fuga. O italiano Enrico Battaglin escreveria o seu nome no Giro, assegurando a segunda vitória consecutiva da Bardiani, com 7s sobre Dario Cataldo (SKY) e a 17s de Jarlinson Pantano (COL).

Antecedendo o 3º dia de descanso havia que superar a 15ª etapa, a segunda de alta montanha. Os 225 km iniciados em Valdengo escondiam na sua quase total planura a dureza do final em Plan di Montecampione, a 1ª cat. de 19,4 km de extensão, onde Marco Pantani venceu o Giro de 1998 num duelo inolvidável com Pavel Tonkov. A facilidade inicial propiciou uma fuga logo aos primeiros quilómetros. Entre os heróis da frente, Portugal vibrou com a actuação de André Cardoso (GRS). O corredor luso da Garmin-Sharp pedalou uma etapa heroica, faltando apenas a merecida vitória ao final. Lutou pelo sonho da fuga na parte plana e deu ainda mais luta no início da derradeira escalada. Montecampione viu cada um dos companheiros de fuga de André Cardoso ficar para trás, viu os favoritos à geral digladiar-se metro atrás metro de subida ultrapassada, viu os ataques de Rolland (EUC), a defesa da liderança de Urán (OPQ), a persistência de Evans (BMC)… Viu a supremacia de Fabio Aru (AST) a ultrapassar tudo e todos para a vitória aguerrida na meta, golpeando a perseguição de Fabio Duarte (COL) para o 2º lugar e de Nairo Quintana (MOV) para 3º, ambos a 21 e 22s do seu cruzar glorioso no alto. Montecampione viu verdadeiros campeões debaterem-se na sua dureza, mas também viu a heroicidade do português André Cardoso, que após batalhar pela possível vitória ainda disse presente quando o seu líder Ryder Hesjedal (GRS) precisou de apoio na escalada final.

Aliás, a Garmin-Sharp espelha bem a subtileza do Giro d’Itália, uma batalha imprevisível do princípio ao fim. Da queda vertiginosa do contra-relógio por equipas inicial, a armada americana não baixou os braços e elevou o líder Hesjedal a 11º da geral. Os 6m44s de distância para o maglia rosa Rigoberto Urán (OPQ), parecem de somenos importância quando olhamos ao esforço e trabalho de uma equipa, que vê ainda André Cardoso terminar a 2ª semana em 28º da geral (+30:24”).

O que esperar da 3ª semana do Giro? Certamente, muita batalha entre os primeiros classificados. Tudo se mostra em aberto quanto à liderança histórica de Urán (OPQ), presa por 1m03s sobre o veterano Evans (BMC) e 1m50s do jovem Majka (TCS), nunca esquecendo a sempre temerária ameaça do conterrâneo colombiano Quintana (MOV) a 2m40s e os italianos à espreita Aru (AST) a 2m24s e Pozzovivo (ALM) a 2m42s. Tudo pode acontecer nas 6 derradeiras etapas, onde as chegadas a Val Martello/Martelltal (ET16), Rifugio Panarotta (Et18) e Monte Zoncolan (Et20), a par da crono-escalada de Cima Grappa (Et19), esperam ter um papel fundamental no desfecho da ‘più bella corsa del mondo’.

CG após 15ª etapa [by Helena Dias]

(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Vitória de Pedro Paulinho no Challenge de Loulé

Pedro Paulinho agarrou a vitória do 2º Challenge de Loulé. A dois dias de completar 24 anos de idade, o corredor da LA Alumínios-Antarte alcançou o primeiro triunfo da temporada e o segundo consecutivo para a equipa, que ainda ontem iniciou a Taça de Portugal a vencer com Daniel Freitas.

O pelotão elite/sub-23 despediu-se do sol algarvio na manhã de domingo disputando o 2º Challenge de Loulé. Num total de 63 km, o circuito foi pedalado em 30 voltas com a Praça da República a ser o ponto de partida e chegada. Uma corrida contada em inúmeras fugas e ambicionada por muitos na busca pela vitória do dia.

De todas as tentativas de fugir ao pelotão, a última vingou levando Pedro Paulinho (LA Alumínios-Antarte) a conquistar a linha de meta com alguma vantagem sobre os companheiros de aventura e a sua equipa a classificação do colectivo. Na 2ª posição terminou Luís Fernandes (OFM-Quinta da Lixa), actual líder Equipier do Ranking APCP, e em 3º o jovem Luís Gomes (Maia-Bicicletas Andrade), que se tem destacado no pódio sub-23 das provas disputadas até então do calendário nacional.

Os três dias no Algarve terminam com três vencedores distintos… César Fonte (Rádio Popular-Boavista) conquistou o 5º Challenge de Tavira, Daniel Freitas (LA Alumínios-Antarte) triunfou na 1ª prova da Taça de Portugal e o seu companheiro Pedro Paulinho brilhou hoje em Loulé.
 
Pódio 2º Challenge de Loulé (Foto @UCMaia)

Resultados
1 Pedro Paulinho (Por) LA Alumínios-Antarte 1:56:18
2 Luís Fernandes (Por) OFM-Quinta da Lixa +41”
3 Luís Gomes (Por) Maia-Bicicletas Andrade +41”
4 Frederico Figueiredo (Por) Rádio Popular-Boavista +41”
5 Vicente De Mateos (Esp) Louletano-Dunas Douradas +41”
6 Xavier Silva (Por) Anicolor +1:09”
7 João Silva (Por) Efapel-Glassdrive +1:09”
8 João Rodrigues (Por) Banco BIC-Carmim +1:09”
9 Paulo Silva (Por) Liberty Seguros/Feira/KTM +1:09”
10 Iúri Jorge (Por) Louletano-Dunas Douradas +1:24”

Resultados completos aqui
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Celina Carpinteiro na liderança da Taça de Portugal

Celina Carpinteiro venceu a 3ª prova pontuável da Taça de Portugal Liberty Seguros. A experiente corredora do CC Ouriquense vinha de uma vitória na 2ª prova disputada em Abril, prevalecendo uma vez mais na meta este sábado, assumindo a liderança da Taça Feminina.

Um curto pelotão de 11 corredoras disputou o percurso de 92,8 km em Torres Vedras. Entre os nomes presentes, destacaram-se algumas das atletas recém-chegadas da Vuelta a Gipuzcoa, prova espanhola onde estiveram pela Selecção Nacional, mais precisamente a vencedora de hoje Celina Carpinteiro (CC Ouriquense) e as seguintes a cruzar a meta a 1s Daniela Reis (Acreditar/AC Malveira), a 3s Ilda Pereira (CC Ouriquense) e a 6s Ana Rita Vigário (BMC/Sram/Póvoa de varzim). Este quarteto demonstrou maior ritmo competitivo, vindo no seguimento da participação além-fronteiras, de suma importância no desenvolvimento e crescimento enquanto atletas.

Com a conquista da prova, a campeã nacional Celina Carpinteiro assumiu a liderança da Taça de Portugal com 48 pontos, destronando Daniela Reis para a 2ª posição a 1 escasso ponto. Na 3ª posição encontra-se Isabel Caetano, mantendo os 25 pontos obtidos até à prova anterior, já que não esteve presente nesta terceira jornada.

Entre as 9 juniores, a vencedora no final dos 69,6 km pedalados foi Andreia Alves (Acreditar/AC Malveira), que assumiu de forma categórica a liderança da Taça no seu escalão com 52 pontos. A jovem corredora também esteve na referida prova em Gipuzkoa, chegando mais forte a Torres Vedras e triunfando em solitário na meta, a 7m35s de Ana Rita Inácio (Spirantt/Ginásio Spald) e a 9m01s de Vitória Oliveira (Viveiros Vítor Lourenço). No Ranking da Taça, ocupa o 2º lugar Ana Silvestre (Atlantic Service/Clube Xelb) com 43 pontos e o 3º lugar Ana Lopes (CC Ouriquense) com 37 pontos.

Em cadetes e veteranas pedalaram-se os mesmos 58 km. Sem surpresa, a vencedora das duas provas anteriores em cadetes imperou igualmente na terceira. Consolidando a liderança da Taça com 60 pontos, Beatriz Lopes (CC Ouriquense) foi a mais forte entre as 11 jovens superando na meta Soraia Silva (CC Bairrada) e Alexandra Santos (Viveiros Vítor Santos). No Ranking da Taça, em 2º lugar encontra-se Soraia Silva com 42 pontos e em 3º Maria Martins (CC Ouriquense) com 33 pontos.

Também em veteranas, entre as 4 corredoras em prova, o triunfo coube a Natália Mendes (Freeshop Bike), líder da Taça com 55 pontos, deixando em 2º a 1m06s Teresa Fernandes (Atlantic Service/Clube Xelb) e em 3º a 5m56s Orieta Oliveira (CC Ouriquense), que ocupam as mesmas posições no Ranking com 47 e 39 pontos respectivamente.

Colectivamente, o Clube de Ciclismo Ouriquense manteve a soberania na classificação por equipas.

A 4ª prova da Taça de Portugal Feminina está prevista para o dia 20 de Julho, sendo antecedida no final do mês de Junho pela realização do Campeonato Nacional.
 
Vitória de Celina Carpinteiro em Torres Vedras (Foto UVP-FPC)

Resultados Completos Elites
1 Celina Carpinteiro (Por) CC Ouriquense 2:46:58
2 Daniela Reis (Por) Acreditar/AC Malveira +1”
3 Ilda Pereira (Por) CC Ouriquense +3”
4 Ana Rita Vigário (Por) BMC/Sram/Póvoa de Varzim +6”
5 Vanessa Fernandes (Por) Associação 20km de Almeirim +32”
6 Liliana Jesus (Por) Individual +1:23”
7 Marisa Santos (Por) BMC/Sram/Póvoa de Varzim +4:22”
8 Ana Valido (Por) Acreditar/AC Malveira +7:09”
9 Ana Gaspar (Por) CC Ouriquense a1volta
DNF Ana Azenha (Por) BMC/Sram/Póvoa de Varzim
DNF Andreia Lopes (Por) CC Ouriquense

Resultados completos restantes categorias aqui
Relembrar 1ª Prova
Relembrar 2ª Prova
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Daniel Freitas abre Taça de Portugal com vitória

Daniel Freitas abriu com um triunfo ao sprint a Taça de Portugal Liberty Seguros elite/sub-23. O jovem corredor da LA Alumínios-Antarte deu seguimento à boa temporada, que vem realizando na sua nova equipa, agarrando a vitória da 1ª prova pontuável da Taça, o Troféu Restaurante Alpendre.

Pelo segundo dia consecutivo, o pelotão saiu para as estradas algarvias acompanhado do sol primaveril. Da linha de partida situada junto ao Restaurante Alpendre até à linha de todas as decisões em Vila Nova de Cacela, os heróis do asfalto pedalaram 170 km bastante agitados em tentativas de fuga.

A primeira aventura, composta por 10 corredores, viu a tentativa terminar ainda a 90 km do final. Sem descanso, as tentativas sucederam-se até se formar um quinteto na frente, ao qual se uniu mais tarde César Fonte (Rádio Popular-Boavista), vencedor da prova do dia anterior, o 5º Challenge de Tavira.

Na perseguição, o pelotão vinha sendo seleccionado pela alta velocidade a par do terreno acidentado, encontrando-se bastante reduzido quando alcançou o grupo fugitivo a 4 km do desenlace.

No sprint final, Daniel Freitas (LA Alumínios-Antarte) prevaleceu sobre Rafael Silva (Efapel-Glassdrive), o recente vencedor do GP Liberty Seguros, e Vicente De Mateos (Louletano-Dunas Douradas). Com esta vitória, o corredor de 23 anos conquista o primeiro triunfo da temporada na linha de meta, somando aos dois maillots de metas volantes já assegurados, nomeadamente na Volta à Bairrada e na Clássica da Primavera.

Nesta 1ª prova da Taça de Portugal, os maillots secundários foram assegurados por Carlos Oyarzún (Efapel-Glassdrive) nas metas volantes e Henrique Casimiro (Banco BIC-Carmim) na montanha, que viu a sua equipa de Tavira ser soberana na classificação colectiva.

A par dos elites, também os heróis sub-23 disputaram a sua classificação nesta prova. Cruzando a meta em décimo, Carlos Ribeiro (Anicolor) classificou-se em primeiro lugar, ficando em segundo Rafael Reis (Banco BIC-Carmim) e em terceiro Joaquim Silva (Anicolor).

Relativamente aos mais novos entre os mais jovens, o Troféu Esperanças foi entregue a César Martingil (CC José Maria Nicolau), primeiro sub-23 de 1º ano. Os demais lugares do pódio Esperanças ficaram entregues a Gaspar Gonçalves (Anicolor), no dia do seu 19º aniversário, e a Paulo Silva (Liberty Seguros/Feira/KTM).

O espectáculo do ciclismo não deixa o sul do país. Amanhã, o pelotão irá pedalar na manhã de domingo o Challenge Cidade de Loulé.

Pódio 1ª prova Taça de Portugal
(Foto equipa Louletano-Dunas Douradas)

Resultados
1 Daniel Freitas (Por) LA Alumínios-Antarte 3:58:15
2 Rafael Silva (Por) Efapel-Glassdrive m.t.
3 Vicente De Mateos (Esp) Louletano-Dunas Douradas m.t.
4 Francisco Gómez (Esp) Andalucía m.t.
5 Daniel Mestre (Por) Banco BIC-Carmim m.t.
6 Samuel Caldeira (Por) OFM-Quinta da Lixa m.t.
7 António Carvalho (Por) LA Alumínios-Antarte m.t.
8 César Fonte (Por) Rádio Popular-Boavista m.t.
9 Diego Rubio (Esp) Efapel-Glassdrive m.t.
10 Carlos Ribeiro (Por) Anicolor m.t.

Resultados completos aqui
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

César Fonte vence Challenge de Tavira

César Fonte conquistou esta sexta-feira a sua primeira vitória da temporada no 5º Challenge de Tavira. O corredor da equipa Rádio Popular-Boavista abriu de forma triunfante os três dias de ciclismo no Algarve, entre 23 e 25 de Maio.

O pelotão rumou ao sol algarvio para disputar mais uma corrida do calendário de estrada, que antecede a 1ª prova da Taça de Portugal a realizar-se amanhã. A medição do pulso entre as equipas continentais e de clube foi feita no 5º Challenge de Tavira – Engº Brito da Mana, vivido no circuito urbano de 3 km entre a Praça da República e a Rua da Liberdade, num total de 20 voltas perfazendo 60 km.

Elites e sub-23 atacaram desde cedo a corrida com uma fuga, que foi perdendo força ao longo de cada volta ultrapassada. O solo empedrado não facilitou a tarefa ao pelotão, que mesmo alcançando a fuga não conseguiu manter-se unido até ao último cruzar da decisiva linha.

Na derradeira volta, César Fonte (Rádio Popular-Boavista), que já tinha provado esta temporada o sabor do pódio com a conquista da camisola das metas volantes na Volta ao Algarve, ganhou uma curta vantagem, o suficiente para agarrar em Tavira a sua primeira vitória da temporada numa linha de meta. Completaram o pódio o jovem Luís Gomes (Maia-Bicicletas Andrade) e o sprinter Samuel Caldeira (OFM-Quinta da Lixa).

O espectáculo do ciclismo não pára no Algarve, seguindo-se amanhã a 1ª prova da Taça de Portugal – Troféu Restaurante Alpendre e no domingo o 2º Challenge de Loulé.

Vitória de César Fonte (Foto Frederico Figueiredo)

Resultados
1 César Fonte (Por) Rádio Popular-Boavista 1:33:30
2 Luís Gomes (Por) Maia-Bicicletas Andrade +22”
3 Samuel Caldeira (Por) OFM-Quinta da Lixa +22”
4 Diego Rubio (Esp) Efapel-Glassdrive +22”
5 André Mourato (Por) LA Alumínios-Antarte +22”
6 Bruno Sancho (Por) Banco BIC-Carmim +22”
7 Carlos Ribeiro (Por) Anicolor +22”
8 Renato Avelar (Por) Liberty Seguros/Feira/KTM +22”
9 Vicente De Mateos (Esp) Louletano-Dunas Douradas +22”
10 Manuel Cardoso (Por) Banco BIC-Carmim +22”

Resultados completos aqui
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

A Corrida, por Frederico Figueiredo: Vuelta a Castilla y León

Boa noite, caros seguidores e amigos!

(By www.elpedaldefrodo.com)
Mais um fim-de-semana de competição, desta vez em Espanha para correr a Vuelta a Castilla y Léon. Uma corrida de bastante nível com presença de excelentes equipas e corredores. Esperavam-nos 3 dias de competição ao mais alto nível.

Rumámos a Espanha pela manhã de quinta-feira até Ciudad Rodrigo, onde encontrámos um Castelo transformado em Hotel, diga-se de passagem com muitas condições. Depois de um almoço ligeiro, seguido de algum tempo de descanso, foi hora de partir para um treino suave de cerca de 1h30/45, onde deu para ver que no dia seguinte íamos ter o vento como grande adversário na corrida.

No 1º dia de competição tivemos 180 km para cumprir. Foram várias as tentativas de fuga ao início, onde a minha equipa tentou de tudo para colocar alguém na frente, mas nenhuma das fugas em que estávamos deu certo, até que se formou uma fuga que vingou e assim seguiu daí para a frente. Foi sempre uma etapa muito nervosa, pelo vento que se fazia sentir, até que na passagem por uma vila a equipa da Movistar decidiu acelerar e fazer os famosos "abanicos". Houve ali momentos de pânico com o vento a bater de lado, provocando alguns cortes no pelotão, mas tudo se juntou novamente e assim fomos até ao final com a Movistar a levar a corrida para o seu sprinter José Joaquín Rojas, o mais forte na chegada ao sprint. Da parte da minha equipa Rádio Popular-Boavista, pelo facto de não termos nenhum ciclista rápido, nestas etapas temos de resguardar-nos ao máximo e tentar a nossa sorte em etapas mais duras, talhadas para os nossos ciclistas Rui Sousa, César Fonte, Vergílio Santos, Célio Sousa e Daniel Silva.

Na 2ª etapa enfrentámos a chegada ao alto de Lubián, uma contagem de primeira categoria. Esta jornada foi toda ela pautada pelo vento forte, causando algum desgaste, e na parte final duas contagens de montanha, umas delas coincidindo com a chegada. A corrida foi sempre controlada pela equipa do líder (Movistar) e na entrada da última subida começou a selecção do grupo. Ao ataque do Ricardo Mestre, que abriu as hostilidades, seguiu-se o de David Belda, que ganhou uma larga vantagem vencendo na meta em Lubián. Da minha parte, realizei um 8º lugar na etapa sendo o 2º português atrás de Edgar Pinto, também ele a realizar uma excelente subida.

No último dia de competição, na minha opinião a etapa rainha da prova, tivemos um acumulado de mais de 3500m e um constante sobe e desce. Realmente uma dureza, mas também excelentes paisagens! Saímos de uma vila em Lubián com a partida real a ser dada após 700m da partida simbólica e logo a subir. Como é normal no último dia de corrida, tivemos várias tentativas de fuga ao início formando-se um grupo que não durou muito tempo, já que na entrada da primeira subida de 1ª categoria a Movistar entrou a puxar, endurecendo a corrida subida acima, onde mais tarde a Efapel endureceu ainda mais o ritmo e partiu o grupo já algo fragmentado. Apanhou-se a fuga no final dessa descida e novas tentativas de fuga surgiram, com o terreno em si a seleccionar o grupo cada vez mais pequeno. No final chegou um grupo de 25 ciclistas à meta, onde Luis León Sánchez (Caja Rural-Seguros RGA) foi o mais forte. Arrancou a faltar alguns quilómetros e assim foi até à meta. Neste último dia realizei a 15ª posição na etapa e mantive o meu 8º lugar na geral graças à minha equipa, que em todos os momentos confiou em mim. A eles, o meu obrigado pela confiança e apoio!

Cumprimentos e boas pedaladas :)
Frederico Figueiredo


Rádio Popular-Boavista (By www.elpedaldefrodo.com)

Frederico terminou na geral em 8º lugar, a 1m55s do vencedor David Belda (BUR).

Giro d’Itália: finalmente território italiano

O 97º Giro d’Itália viveu os seus três primeiros dias na Irlanda sob intensa chuva e frio. O pelotão ansiava pela entrada em território italiano, o que sucedeu ao quinto dia de prova, após o primeiro dia de descanso. Quanto à chuva… essa continuou a acompanhar os heróis do asfalto, provocando a neutralização de uma etapa quase por completo, várias quedas e múltiplos abandonos. Mas ninguém disse que a Corsa Rosa ia ser fácil, nunca o foi nas 96 edições anteriores.
 
Cadel Evans (Foto www.gazzetta.it/Giroditalia/2014/it)

De sul para norte, a ‘bota italiana’ começou a ser pedalada em Giovinazzo, local da partida para os 112 km da 4ª etapa com chegada a Bari. Sem fugas nem ataques, sempre compacto e com muita conversa à mistura, o pelotão decidiu neutralizar a jornada pela perigosidade do asfalto molhado, chegando ao acordo possível com a organização de apenas disputar a meta. Ainda assim, na preparação do sprint final, as quedas sucederam-se mostrando que o pelotão tinha razão sobre as condições de corrida. A vitória coube a Nacer Bouhanni (FDJ), a sua primeira conquista no Giro e sem o adversário mais perigoso em prova. O vencedor de duas etapas anteriores, Marcel Kittel (GIA), abandonava a prova ainda antes de cruzar os céus rumo a Itália, devido a febre.

A maglia rosa permaneceu em Michael Matthews (OGE), seguindo-se a primeira jornada de média montanha, que serviu para medir o pulso -ou melhor, as pernas-, dos favoritos à geral. De Taranto a Viggiano pedalaram-se 203 km com uma fuga de 11 corredores a terminar a 14 km do final. Gianluca Brambilla (OPQ) ainda tentou abrilhantar o seu palmarés com uma vitória numa grande volta, mas a Katusha de ‘Purito’ foi impiedosa na perseguição, lucrando não o espanhol com o fim deste intento a 1,4 km do final, mas sim Diego Ulissi (LAM), que a 200m saltou do grupo onde se mantinham os favoritos para agarrar a vitória da 5ª etapa. Mostrando-se em plena forma, Cadel Evans (BMC) cruzou em segundo a linha, buscando as bonificações. Matthews (OGE) não tremeu e defendeu a liderança rosa por mais um dia.

Chegados à 6ª etapa, mais um contratempo para ser resolvido. Em consequência de um desmoronamento na localidade de Polla, os 247 km transformaram-se em 257 km, fazendo desta a etapa mais longa do Giro, vivida em fuga até 12 km da meta por Fedi (NRI), Bandiera (AND), Zardini (BAR) e Torres (COL). À partida de Sassano, ninguém pensaria nesta etapa como sendo decisiva para alguns favoritos. Precisamente antes da subida final da 2ª categoria de Montecassino, duas quedas levaram inúmeros corredores ao solo e a maioria do pelotão a ficar atrasada, destacando-se na frente um pequeno grupo com Evans (BMC) e o líder Matthews (OGE). O favorito à geral terminou em terceiro, acedendo uma vez mais às bonificações da meta. O maglia rosa venceu a jornada, conservando uma vez mais a camisola tão desejada. A queda tornar-se-ia decisiva para alguns corredores que abandonaram ainda nesse dia o Giro, como o caso de, entre outros, Brajkovic (AST), Villella (CAN) e a Katusha a ser devastada sem Caruso, Vicioso e o líder Joaquim Rodríguez. O sonho rosa terminava assim para ‘Purito’.

Outros continuavam no sonho rosa e na 7ª etapa Bouhanni (FDJ) foi novamente feliz na meta, conquistando a sua segunda vitória na chegada a Foligno, depois de 211 km pedalados desde a partida em Frosinone e batendo a concorrência renhida de Nizzolo (TFR) e Mezgec (GIA). E Matthews (OGE)? Bem, continuava de rosa!

Novo dia e a média montanha à espera do pelotão. A 8ª etapa levou os heróis de Foligno a Montecopiolo, nada mais do que 179 km para Matthews (OGE) se despedir da maglia rosa e Cadel Evans (BMC) começar a tornar o seu sonho realidade. De uma fuga inicial de 10 corredores, foi o colombiano Arredondo (TFR) quem deu mais espectáculo neste dia, levando o seu intento quase até ao final. Ainda passou as duas primeiras dificuldades do dia na frente, Cippo Di Carpenga (km 143,4), por onde ‘Il Pirata’ Marco Pantani costumava treinar, e Villaggio Del Lago (km 169,3). Ainda chegou à sua companhia Pierre Rolland (EUC), mas o esforço de ambos acabou por ser inglório, pois do grupo restrito do pelotão em perseguição sucederam-se os ataques nos últimos metros da subida de Montecopiolo, com Diego Ulissi (LAM) a agarrar a segunda vitória neste Giro e Evans (BMC) a assumir a liderança rosa.

Ainda antes do segundo dia de descanso, o pelotão pedalou a 9ª etapa numa extensão de 172 km entre Lugo e a chegada à 2ª categoria de Sestola. Desta feita, da numerosa fuga inicial de 13 corredores, a valentia maior coube a Pieter Weening (OGE) e Davide Malacarne (EUC). A dupla conseguiu levar a bom porto o sonho da fuga, logrando a vitória o holandês Weening, terminando em seguida o italiano Malacarne. Entre o grupo dos favoritos, já sem ‘Purito’ (KAT) na batalha rosa, destacou-se o ‘pequeno’ italiano Domenico Pozzovivo (ALM), pedalando um ataque glorioso na última ascensão do dia, levando-o a escalar vários lugares na geral, do 10º para o 4º lugar.

Terminada a primeira fase do Giro, há que louvar a actuação da Orica-GreenEdge, que guardou por vários dias a liderança de Michael Matthews, o qual ainda venceu uma etapa a par de Weening, não esquecendo o triunfo do contra-relógio colectivo inicial. Cadel Evans (BMC) brilha de rosa, uma liderança alcançada inteligentemente, com quase um minuto de vantagem para os seus mais directos adversários. Além do bom começo no contra-relógio por equipas, o veterano australiano buscou bonificações em duas etapas e, segundo a segundo, foi guardando o primeiro lugar com cuidado, sabendo que o perigo pode espreitar a qualquer momento vindo de Rigoberto Urán (OPQ), Nairo Quintana (MOV), Rafal Majka (TCS) ou até um outro corredor surpresa.

Tudo pode acontecer a duas semanas e doze etapas do final. E a maior dureza montanhosa ainda está por superar, bem como dois contra-relógios individuais, um deles em crono escalada. Assim, o Top 3 da geral termina a primeira semana do Giro com Evans (BMC) no 1º lugar, seguido de Urán (OPQ) em 2º (+57”) e Majka (TCS) em 3º (+1:10”). Um pouco mais distante, mas sempre pronto a escalar para o pódio, encontra-se o colombiano Quintana (MOV) na 9ª posição (+1:45”).

Quanto ao único herói lusitano presente nesta 97ª edição, silenciosamente André Cardoso (GRS) subiu na geral ao longo destas primeiras etapas vividas em território italiano, esquecendo o desafortunado começo irlandês e ocupando agora o 41º lugar da geral (+18:07”).
 
CG após 9ª etapa [by Helena Dias]

(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)