Galardoado paladar das equipas lusas


O ciclismo não vive sem patrocínios e, em tempos da famosa 'crise', as marcas necessitam cada vez mais de um veículo eficaz de publicidade para chegar ao público. As equipas têm um papel essencial neste trabalho de divulgação dos seus patrocinadores e quanto maior for a qualidade de quem patrocina o projecto ciclista, mais fácil se torna a tarefa de passar a mensagem aos seguidores das duas rodas.

Assim, perguntamos: o que têm em comum as formações lusas OFM-Quinta da Lixa-Goldentimes e Banco BIC-Carmim? A resposta é saborosamente simples! Ambas as equipas têm duas das melhores marcas portuguesas de vinho como patrocinador, grandemente galardoadas a nível nacional e internacional.


A Sociedade Agrícola Quinta da Lixa foi criada em 1986, na Vila da Lixa, mas apenas assumiu esta designação em 1998. Os seus vinhos, premiados este ano pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes com medalhas de ouro e prata, são obtidos principalmente das sublimes castas de loureiro, alvarinho, trajadura, espadeiro e arinto. Tal como numa equipa de ciclismo, os prémios são a parte visível do reconhecido valor do produto e estes vinhos contam no seu 'palmarés' com medalhas alcançadas no ano transacto nos concursos internacionais China Best Value Wine & Spirits Awards e no Challenge Internacional Du Vin.


Recuando um pouco no tempo, em 1971 nasceu a Carmim através da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz. O paladar dos seus vinhos tem privilegiado, entre outras, as castas touriga nacional, trincadeira, aragonês, moreto, castelão, arinto, síria, rabo de ovelha e antão vaz. Referindo somente os prémios mais recentes do seu vasto 'palmarés' de medalhas, este ano os seus vinhos brilharam no concurso internacional Monde Selection, em Bruxelas, e também no China Best Value Wine & Spirits Awards.

Melhor mesmo é passar da teoria à prática, pedalando através dos aromas e sabores do que de melhor se associa ao nosso ciclismo… os vinhos portugueses. Cheers!


Quinta da Lixa - www.quintadalixa.pt
Carmim - www.carmim.eu

[Fotos: Helena Dias]
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

A magia da 75ª Volta a Portugal

O pelotão da 75ª Volta a Portugal proporcionou um verdadeiro espectáculo de ciclismo nas Bodas de Diamante. Será que Joaquim Gomes, Director da prova, quando desenhou o traçado das etapas sabia que esta seria uma das melhores edições de sempre? E uma das mais renhidas dos últimos anos...

Ana Azenha, a promessa confirmada do ciclismo luso



Ana Azenha é uma promessa confirmada do ciclismo luso. Em cada pedalada desfila elegância feminina num desporto cada vez mais aberto ao talento das mulheres e não somente dos homens.

A corredora nascida em Coimbra faz da Estrada o seu desafio superado e da Pista um habitat natural. Em ambas as vertentes parece ter descoberto há muito o segredo do sucesso… um talento inato sentido desde pequena e começado a pedalar aos 7 anos de idade na Escola de Ciclismo Fernando Carvalho.


A progressão foi sendo notória e em cadete já brilhava nas linhas de meta defendendo as cores da espanhola CC Spol. Com esta formação, aos 15 anos conquistou a primeira Taça de Portugal, repetindo o feito no ano seguinte com o luso Bike Clube de S. Brás. Paralelamente piscava o olho aos lugares do pódio em provas regionais de XCO.

Mas a maior mudança na vida da ciclista ocorreu em 2010, mais precisamente em Setembro quando ingressou no Centro de Alto Rendimento de Anadia. Aqui, a Pista entrou na sua vida para não mais sair e, desde esse momento, Portugal viu uma estrela crescer a pedaladas largas rumo àquela que pode vir a ser a atleta a fazer história no ciclismo português. Velocidade e perseguição individual pareciam não ter segredos para a conquista de títulos nacionais, mas logo todas as disciplinas se renderam nos anos seguintes ao talento de Ana Azenha. A nível internacional, conseguiu o excelente segundo lugar em scratch no Campeonato da Europa em juniores, ao mesmo tempo que arrebatou títulos na Estrada, como o Campeonato Nacional de Fundo em júnior e o segundo lugar em Contra-relógio.

2012 foi o ano de afirmação em elite e 2013 não está a ser diferente… Campeã Nacional em Pista, vencedora da Taça de Portugal de Pista e de Estrada, soma também a medalha de bronze no Campeonato Nacional de Contra-relógio e a vitória da centenária Subida à Glória, uma escalada de 265 metros na histórica Calçada da Glória, em Lisboa. A sua casa continua a ser o Centro de Alto Rendimento e, actualmente, com as cores do Clube de Ciclismo da Bairrada demonstra através do seu rico palmarés a perfeita conexão entre Pista e Estrada, vertentes do ciclismo que, interligadas, fazem de uma boa atleta uma corredora ainda maior.

Trabalha pelos seus objectivos, pedala pelos seus sonhos, sorri pelas metas conquistadas… aos 20 anos, esta é a lusa Ana Azenha!
 

[Fotos: Facebook Ana Azenha]
(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)

Palavras a Sérgio Ribeiro



Não sou dona da verdade, nem tenho pretensão a sê-lo. Mas sou dona do meu pensamento…

Ao longo de vários anos, Sérgio Ribeiro fez-nos vibrar com os seus sprints, as suas pedaladas e a sua forma de amar o ciclismo. Conquistou vitórias, sofreu algumas derrotas, deu espectáculo em todas as corridas em que participou. Grandes ou pequenas, entrava em todas as provas sempre com o espírito de dar o seu melhor e nunca defraudou quem o seguia e apoiava.

É verdade, cometeu um erro em 2007, o qual assumiu frontalmente e pagou por ele ao ficar afastado da modalidade por dois anos. Agora, por alegadas irregularidades no seu passaporte biológico, por parte da ADoP, vê-se confrontado com uma suspensão de 12 anos, ou seja, o fim da sua carreira como ciclista profissional.

Como em todos os casos, não só em Portugal, há quem se aproveite de momentos menos bons para proveito próprio, talvez pela busca de protagonismo, o que no jornalismo e na vida não é ético. No entanto, os últimos tempos têm sido conturbados no mundo ciclista e os egos superiorizam-se aos valores éticos, esquecendo totalmente que por detrás de uma notícia está uma pessoa, um ser humano.

Dirijo-me a esse ser humano, à pessoa de Sérgio Ribeiro… Há muito que o admirava enquanto ciclista e, desde há pouco mais de um ano que o conheci pessoalmente, admiro-o enquanto pessoa. Hoje, nada mudou. Em momentos difíceis há que mostrar-se transparente e não ficar no limbo de ter a opinião que mais convém num determinado momento. Sou transparente e como comecei por dizer não sou dona da verdade, mas sou dona do meu pensamento e este está ao lado de Sérgio Ribeiro, hoje e sempre.

Ficam aqui as palavras de Sérgio Ribeiro à Agência Lusa [02-08-2013]:
«Estou de consciência tranquila. Tentei sempre defender-me neste caso com a maior clareza possível, a consultar médicos, hematologistas, médicos peritos no passaporte. Tenho relatórios em meu poder que me dizem que o meu passaporte é perfeitamente normal, é de um desportista normal. Estou de consciência tranquila, agora estou muito triste. Isto arruína completamente com a minha carreira, com a minha vida.»
«Não temo nada. Infelizmente, estou a passar por isto. Estas pessoas parecem que brincam com a vida de uma pessoa. Levantam suspeitas, provavelmente é de y e de z, não me afirmam nada com certezas. Tenho relatórios meus que dizem que o meu passaporte é super normal. Os peritos da ADoP dizem que é anormal. Eles é que mandam. Como é que eu me vou defender quando quem manda não aceita as justificações mesmo que sejam médicos especializados no assunto?»
«O que eles dizem é que estiveram a analisar o meu passaporte biológico e que é altamente provável que as variações, que não sei quais são, podem ser por métodos ou vias ilegais. Quando fui confrontado com isso - estamos a falar de análises de 2011 – recorri aos meus médicos, a pessoas que me pudessem dar alguma segurança para me saberem explicar o que se estava a passar. E pensando o que tive, vírus, etc., nessa data chegaram à conclusão que não faz sequer sentido.»
«Em 2007, assumi, porque sou homem suficiente. Nunca precisei de andar a mentir a ninguém. Cometi esse erro, ponto final, assumi e tive um castigo merecido. Não posso andar a vida inteira a ser condenado e apontado por um erro do passado. Agora depois de tantos controlos, não me apanharem substância nenhuma... não sei o que pensar.»


(escrito em português de acordo com a antiga ortografia)